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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

“Vocês fizeram os Rosenberg se sentarem na cadeira elétrica por nada”

19.09.2017

Em 19 de junho de 1953, na prisão de Sing Sing, N. York, o governo americano eletrocutou na cadeira elétrica o casal Julius e Ethel Rosenberg. Ele morreu na primeira descarga. Após, ela sofreu três descargas elétricas, quando os médicos verificaram que depois da primeira tentativa, Ethel continuava viva.

O casal Rosenberg foi acusado de espionagem atômica em favor da União Soviética, que em 1949 havia feito sua primeira experiência nuclear.

Até então o governo e a imprensa americana desdenhavam da capacidade científica soviética,em uma tentativa de minimizar a sua vitória decisiva sobre as tropas nazistas e ter tomado Berlim alguns anos antes.

Julius era um técnico que trabalhava nas instalações atômicas de Los Alamos, onde se produziram as bombas americanas. Sua identificação, aposta no uniforme e seus documentos de identificação, designava-o como engenheiro de manutenção. Jamais teve acesso às plantas, documentos, laboratórios ou qualquer instalação que contivesse segredos vitais.

No entanto, o sucesso da experiência soviética com o seu primeiro artefato nuclear necessitava de um bode expiatório. Julius, judeu e filho de imigrantes, era o exemplar perfeito para a imprensa e a acusação. Acabou condenado exclusivamente com base em testemunho do seu cunhado David Green que o deletou em troca de uma acordo e ficou apenas 10 anos em prisão.

Ethel foi condenada somente por ser sua esposa e por suposição deveria ter conhecimentos de suas atividades. Contra ela, não  havia processualmente nenhuma prova, mesmo falsa como a usada contra Julius.

Os outros condenados foram Harry Gold (15 anos) e Morton Sobell (17 anos), que foi capturado no México e levado à corte americana. Todos os acusados eram judeus.

Os fatos serviram de base às centenas de perseguições e condenações da execrada comissão de atividades antiamericanas, dirigida por Richard Nixon, um obscuro deputado e por Joseph McCarthy. Dentre os perseguidos e condenados pela comissão estava o cineasta e ator Charles Chaplin.

O testemunho de Greenglass contra seu cunhado Julius foi obtido pelo FBI mediante pressão em sua mulher. Muito depois, ele declarou à imprensa: preferi acusar minha irmã e livrar minha mulher.

De nada adiantaram os apelos pela comutação da pena (jamais civis haviam sido condenados por crime contra a segurança).

Entre os apelantes, que não foram ouvidos, o Papa Pio XII, Sartre, prêmio nobel, Jean Cocteau, Diego Rivera, Frida Kahlo (os pintores mexicanos), Pablo Picasso, Bertold Brecht.

Em 1989, Boris Brokhovich, o russo que dirigia o programa nuclear soviético, eximindo completamente o casal por qualquer atividade ilegal e explicando como tinha sido obtida a fusão nuclear pelo método experimental, em entrevista ao N. Y. Times, desmascarou a acusação e o julgado afirmando: “Vocês fizeram os Rosenberg se sentarem na cadeira elétrica por nada”.

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