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Marcos Weiss Bliacheris

Sim à paz, não ao terror

14.06.2016

Um apelo à paz

Há uma expressão que diz que coincidência não é uma palavra judaica. Pelo contrário, acredito que resiliência seja. Não é coincidência que o grande formulador da teoria da resiliência, Boris Cyrulnik, seja um sobrevivente da Shoá (Holocausto). Resiliência, de forma bem simples, é a capacidade de retomar seu desenvolvimento após um evento traumático. Basta se pensar no Shoá para entender como o povo judeu desenvolveu sua resiliência no século XX (nem estou falando do que veio antes).
Também pode se tratar a resiliência como a capacidade de se viver ao meio do caos e da pressão. Pense no conflito que permeia Israel, um cotidiano com ameaças de guerras e atentados terroristas e você vai entender um pouco mais de como a resiliência é uma palavra judaica.

A capacidade de se tornar à vida normal após um evento chocante é um mantra em Israel, seria quase um 11º mandamento, se houvesse.

Na semana passada tivemos o triste atentado na chocolateria Max Brenner, no Mercado Sarona em Tel Aviv, onde 4 pessoas foram mortas e um número maior foi ferida.

A resposta, tipicamente israelense, foi encher o local durante todo o dia, deixando bem claro que o terrorismo não paralisará a vida de ninguém. Que a vida normal segue apesar de tiros e bombas.

Entre as muitas pessoas que estiveram lá todo o dia está Yarah Lotersztein, adolescente israelense de 17 anos do movimento juvenil “HaNoar Oved ve Lomed” (e minha sobrinha), que disse com suas palavras simples, o que se passava na cabeça de muitos naquele momento:

“Neste momento, no Mercado Sarona com meu pai. É muito simples: o terror não é o caminho. Eu me oponho ao terror palestino e judaico. Chega de assassinatos, chega de mortes. Além disso, chega de fazer relações públicas e política usando os assassinados, mortos e feridos. Sim à paz, não ao terror.”

Nesta semana, em que o terror mostrou seu rosto brutal em Tel Aviv e Orlando, que o medo e a ira não nos façam esquecer do “sim à paz, não ao terror” de Yarah e de tantos outros em Israel, no Oriente Médio e no mundo.

Nas fotos tiradas no local dos atentados, à direita, Yarah e seu pai (Pedro Guillermo Índio Lotersztein) e, à esquerda, Yair Lapid (ministro israelense) concedendo entrevista.

Nas fotos tiradas no local dos atentados, à direita, Yarah e seu pai (Pedro Guillermo Índio Lotersztein) e, à esquerda, Yair Lapid (ministro israelense) concedendo entrevista.

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