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Séries de TV israelenses ganham cada vez mais espectadores, inclusive no Brasil

10.02.2017

“Homeland” é muito boa, ninguém duvida. Mas “Hatufim” (que aqui se chamou “Prisioneiros de guerra”), a série israelense que deu origem a ela, é melhor. A adaptação do canal Showtime tem, claro, a assinatura daqueles roteiristas de primeira linha que a televisão americana formou. Claire Danes como Carrie é maravilhosa. E o ritmo com que a ação se precipita é vertiginoso. Ainda assim, com tantos recursos, não supera “Hatufim”. É que falta uma certa dose de verdade que só uma produção 100% feita no Oriente Médio pode ter. Pensei nisso agora que estou assistindo a “Fauda”, também israelense.

A série (exibida no +Globosat e disponível na Netflix) tem 13 episódios curtos e irresistíveis. Ela conta a história de uma unidade secreta do exército, o Mistaaravim. Seus integrantes falam árabe perfeitamente e são treinados para capturar terroristas. Neste caso, o alvo é o palestino Tawfiq (Hisham Suleiman), líder do Hamas na Cisjordânia. O malvado fez inúmeras vítimas em ataques a bomba. O comandante da operação é Doron (Lior Raz), que acreditava ter matado Tawfic dois anos antes. Estava aposentado, mas volta à ativa depois que sua unidade descobre que a morte do palestino foi uma encenação do Hamas.

O roteiro eletriza. Há falhas, mas o realismo cortante faz com que todas elas sejam facilmente esquecidas. O fato de ser uma produção israelense se traduz em tudo e abraça a série com uma camada de legitimidade que humilha qualquer “Homeland”. Estão lá a aspereza no tratamento entre colegas, uma marca registrada local; as vielas palestinas; a ausência de luxo nas construções; a liberdade sexual do lado israelense em contraste com as mulheres de véu em Ramallah e em Nablus. As cenas exalam o cheiro da poeira do deserto. Isso abarca também, claro, as línguas usadas em cena (hebraico e árabe). Os atores não forçam aquele sotaque de “árabe falando inglês”, como é praxe nas séries americanas. E o physique du rôle do elenco também é mais genuíno. Finalmente, “Fauda” prescinde de cenografia: as gravações aconteceram em Kafr Qasim, uma cidade na Linha Verde, que separa Israel e Egito, Jordânia, Líbano e Síria. Uma curiosidade: lá pelo sétimo episódio, no fundo de um bar, vê-se uma bandeira nacional enfeitando uma parede. Na certa, é de algum palestino de origem brasileira, há muitos por lá.

“Fauda” — que quer dizer caos em árabe — fez enorme sucesso no Oriente Médio. Quando exibida, no ano passado, ganhou espectadores tanto em Israel quanto na Palestina. Pouco após a estreia, o Hamas chegou a emitir uma nota acusando o programa de “propaganda sionista”. Porém, em seguida, em seu site oficial, colocou um link para a série. Depois, o canal de TV do grupo, o Al-Aqsa, produziu “Fida’i” (combatente, em árabe). É uma trama abertamente inspirada em “Fauda”, sobre militantes do Hamas que atacam o exército de Israel em Hebron, na Cisjordânia. Aval melhor que esse não há.

Por Patricia Kogut – O Globo

O Netflix, onde se encontra a série Fauda, se rendeu à criatividade israelense e tem adquirido os direitos de alguns dos melhores programas de televisão e filmes israelenses. Dentre os títulos adicionados está o vencedor do Prêmio Ophir de Melhor Filme de 2016, “Sand Storm” (veja trailer), filme inteiramente em árabe, que conta a história de uma beduína, cujo marido se casa com uma segunda esposa mais jovem.

Também foi adicionado o Prêmio Ophir Melhor Série de Dramática, “Fauda”, que conta a história de uma equipe de agentes israelenses infiltrados em comunidades palestinas para eliminar um líder terrorista do Hamas. A série se baseia na experiência de seus criadores, incluindo as de Avi Issacharoff, jornalista do “Times of Israel” e do “Haaretz”.

Outros títulos, por enquanto apenas na Netflix/EUA

Na série “B’nei Arubah”, a família de uma cirurgiã israelense, que operará o primeiro-ministro, é tornada refém por um grupo de bandidos. Eles exigem que ela mate o premiê na mesa de operações.

O filme “A Borrowed Identity” ou “Dancing Arabs”, é baseado em romance do celebrado escritor árabe-israelense Sayed Kashua. Indicado a quatro prêmios Ophir, conta a história de Eyad, um menino árabe-israelense aceito numa prestigiosa escola judaica em Jerusalém que se depara com problemas de idioma, cultura e identidade.

O filme “Zero Motivation” é uma comédia sobre soldados que fazem tarefas sem fim na burocracia do Exército de Israel. Foi indicado a 12 prêmios Ophir, e ganhou seis deles.

Por fim, o filme “JeruZalem”, um filme de terror que se passa na Cidade Velha de Jerusalém.

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