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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

Separatismo do RGS – a ocupação nazista no séc. XXI

09.11.2017

Na década de 70, um movimento separatista visando a independência da região sul do resto do Brasil obteve repercussão principalmente na zona de colonização alemã. Seu centro ficava em S. Cruz do Sul, liderado por um vereador, o qual em um debate na tv alegava que o principal motivo do movimento era a desigualdade de tratamento que a Federação  brasileira reservava aos Estados do sul (Paraná, S. Catarina e RGS) desfavorecendo-os economicamente.

Esse era o argumento visível, baseado em dados orçamentários de investimentos e custeio destinados aos estados do nordeste do Brasil.

O que não era visível, mas dele não restava dúvida, era a discriminação racial, social e política em relação à população nordestina.

Por isso vale a pena recordar que esse movimento tem uma linha ideológica de aproximação nostalgia com o nazismo cujos planos coloniais envolviam a Argentina, Chile,  Bolívia, Paraguai e os três estados do Brasil, considerados germanófilos e com população imigratória com marcada influência germânica.

Quanto às questões políticas, lembre-se que o Brasil foi governado de 1930 a 1945 por um gaúcho: Getúlio Vargas, assessorado por inúmeros outros gaúchos, sobressaindo-se Oswaldo Aranha. Aliás o movimento de 1930 teve o apoio decisivo do nordeste e Minas, quando João Pessoa, da Paraíba, negou-se a compor a chapa paulista à presidência (“Négo”).

Após o golpe militar de 1964, foram gaúchos os ditadores Costa e Silva, Médici e Geisel. Antes, João Goulart e Leonel Brizola  foram os principais políticos após o suicídio de Getúlio.

Portanto, não faltaram políticos gaúchos no comando da Federação.

Do ponto de vista econômico, o RGS é desprovido de petróleo  e de mercado consumidor nos mesmos níveis de São Paulo, Rio ou Minas.

Mas foi aquinhoado com uma refinaria e um oleoduto com mais de 70 km. Seus polos industriais são predominantemente de consumo e os produtos são majoritariamente exportados ou consumidos fora de sua região .Ainda dispõe à conta federal, um polo petroquímico e uma indústria de aços finos. Quanto aos recursos financeiros, os repasses do BNDES, CEF, FINEP ou FINAME, para citar alguns financiadores federais de investimentos direcionam substancialmente para o Rio Grande do Sul. Se mais não recepciona o Estado é por carência de projetos enquadráveis. Seu aeroporto será em curto período, ampliado e modernizado sob auspício federal, aumentando sua vocação para centro estratégico do Mercosul.

O Estado gaúcho não possui nenhuma universidade pública (a UERGS, que não tem formato típico, está praticamente paralisada). Enquanto  o Paraná possui mais de 40 faculdades públicas estaduais e em maior medida, São Paulo, Rio, etc.,

O Rio Grande é o mais carente de unidades de ensino superiores públicas e estaduais.

No entanto, possui inúmeras universidades ou unidades de ensino superiores federais, inclusive outras técnicas de nível médio,  localizadas em Porto Alegre, Pelotas, S. Maria, Rio Grande, com número expressivo de alunos e professores de renome internacional.

As principais rodovias gaúchas (101, 116, Produção) são federais e as ligações interestaduais atravessam o rio Uruguai mediante pontes, assim como  para a Argentina. Mesmo a crucial ligação de Porto Alegre com o  oeste e sul da depende de uma ponte federal – a travessia Getúlio Vargas que liga a capital à Guaíba.

Ou seja, política e ecomicamente, o Rio Grande do Sul é um Estado ímpar e aquinhoado na Federação. Seus problemas econômicos são resultantes das mesmas causas que afetam outros Estados, e não pouco agravados por políticas e políticos locais

Faltou ao Rio Grande,  é real,  os bancos privados de porte,  que foram sempre pioneirismo de mineiros e paulistas. Mas isso deve-se ao excesso de limitações dos investidores, originalmente da cultura do charque, pecuária extensiva ou agricultura familiar,  sem horizontes a não ser um trabalho servil.

Se independente, importará petróleo da república vizinha do Brasil, será alvo de cobiça de países limítrofes, como o fora no passado: recorde-se que os gaúchos foram os únicos no império para nele ingressar – ganhando a condecoração de “brasileiros por adoção”.

O plebiscito recém realizado, mero movimento informal e descolorido,  sem resultados políticos,  fere a Constituição, atenta contra a indissolúvel federação e sua forma republicana. Mais do que isso, é antidemocrático e enquadrávsel na tipologia legal.

O  fundo ideológico do separatismo, que foi vencido ao fim da IIª Guerra, é discriminatório, racista e supremacista.

Nele haverá lugar para os judeus?

1 Comentário a Separatismo do RGS – a ocupação nazista no séc. XXI

  1. Giovanni's Gravatar Giovanni
    9 de novembro de 2017 at 23:41 | Permalink

    A colonização germânica fez muito bem para o Sul, assim como a judaica. As tais rodovias federais são em parte privatizadas, ou seja, o governo Federal não faz a sua parte de dar um retorno dos impostos. Uma eventual redução na produção local de petróleo seria agente impulsionador de tecnologias automotivas mais ecológicas, como as que estão surgindo em meu estado, Santa Catarina. Além disso, nós voltaríamos a multimodalidade, com novos caminhos ferroviárias, possivelmente elétricos, com produção de energia local.

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