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Robert Allen Zimermann: o judeu de Minessota recebe o Nobel de Literatura

14.10.2016

O cantor e compositor americano Bob Dylan, de 75 anos, foi anunciado nesta quinta-feira (13) o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2016. A escolha foi divulgada em um evento em Estocolmo, na Suécia. Além do título, Dylan, que é considerado um dos maiores nomes da música do século XX, receberá 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,9 milhões).

Robert Allen Zimermann (Bob Dylan) nasceu no dia 24 de maio de 1941 no estado de Minnesota, Estados unidos. Neto de imigrantes judeus russos, aos dez anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Seus avós, Zigman e Anna Zimmerman, emigraram de Odessa (atual Ucrânia) para os Estados Unidos por causa de um pogrom antissemita ocorrido em 1905.

Tanto na música como na literatura, Bob Dylan foi fortemente influenciado pela geração beatnik e pelos poetas modernos americanos. “Como artista, foi altamente versátil e trabalhou como pintor, ator e autor de roteiros”, lembrou o comunicado da Academia Sueca. Ao ganhar no Nobel, ele superou grandes autores que eram tidos como favoritos da vez, como o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o, o japonês Haruki Murakami e o poeta sírio Adonis. Dylan é o primeiro americano a vencer o Nobel de literatura desde Toni Morrison, em 1993.

Na adolescência, tocou em diversas bandas, dedicando-se à tradição da música americana, especialmente ao folk e ao blues. Um de seus ídolos era o Woody Guthrie, um dos maiores nomes do folk. Mais tarde, Dylan largou a faculdade e se mudou para Nova York onde se tornou famoso no início dos anos 1960. Lá, passou a tocar em casas de shows e cafés no famoso bairro Greewich Village.

Dez vezes vencedor do Grammy, Bob Dylan já se reinventou por diversas vezes, assumindo as identidades de desafiador do pop, estrela do rock, poeta sábio e cristão missionário – ele se converteu ao cristianismo em 1979.

Em 2004, Bob Dylan foi eleito pela revista americana “Rolling Stone” o segundo melhor artista de todos os tempos, atrás apenas dos Beatles. As referências bíblicas na obra dylaniana são tão abundantes que o músico chegou a afirmar: “Se tivesse que começar de novo, ensinaria teologia ou história clássica romana”.

O judeu Bob Dylan se apresentou no verão de 1978 no estádio Zeppelinfield (Nuremberg), onde tinham acontecido alguns dos discursos mais famosas de Adolf Hitler. O cantou pediu que o palco fosse colocado no extremo oposto do habitual. Conseguiu assim que os 80.000 presentes dessem as costas para o lugar onde tantas vezes o ditador nazista tinha sido venerado.

Após seu divórcio em 1977, da esposa Sara Lownds, com quem era casado desde 1965, Dylan viveu uma grande crise pessoal, que refletiu-se em seu trabalho artístico. Depois de uma turnê mundial em 1978, em parte registrada no duplo ao vivo “At Budokan” (gravado no Japão), ele voltou-se para a música gsopel, após converter-se ao critianismo e filiar-se a uma igreja. Foi o período mais controverso e polêmico de sua carreira, principalmente por Dylan afastar-se de seu repertório clássico e investir em canções com temática cristã. Com o lançamento do disco “Infidels”, de 1983, Dylan afasta-se da fé cristã, volta-se inesperadamente para as suas raízes judaicas, visita israel e parece reencontrar certo equilíbrio artístico. Bem recebido pela crítica, é considerado seu melhor álbum desde Desire. As apresentações ao vivo, em que volta a interpretar suas canções clássicas, marcam uma reconciliação com seu público.

Atualmente, mesmo antes do Prêmio Nobel, registrava-se um novo interesse pela vida e obra de Dylan, com o lançamento oficial de várias gravações piratas, além do lançamento do documentário “No Direction Home”, de Martin Scorcese, que flagra os anos iniciais de sua carreira (1961-1966) e, mais recentemente, com “Modern Times”, seu novo álbum lançado em 2006, com o qual, pela quarta vez na carreira, Dylan conquistou a liderança do ranking dos mais vendidos dos Estados Unidos, vendendo 192.000 cópias na primeira semana. A última vez que Dylan tinha alcançado a liderança nos Estados Unidos, foi com o álbum “Desire”, de 1976, que ficou 5 semanas no topo das paradas. Antes disso, alcançou o primeiro lugar com o clássico disco “Blood On The Tracks”, em 1975, e com “Planet Waves”, no ano anterior.

Com este reconhecimento Dylan tornou-se o primeiro e único artista na história a ganhar, além o Prêmio Nobel, o Oscar, diversos Grammys, o Globo de Ouro e uma menção do Prêmio Pulitzer.

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