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Porto Alegre recebe exposição inédita sobre o Holocausto

03.05.2016

Projeto Viventes conta a história de judeus sobreviventes do holocausto que vivem no Brasil... A exposição ficará aberta para visitação de 12 de maio a 19 de junho, na Usina do Gasômetro.

Durante a 2º Guerra Mundial, pelo menos seis milhão de Judeus morreram nos campos de concentração do exército nazista. Essa obscura lembrança permeia a história, sendo constantemente lembrado por aqueles que sobreviveram. Um dos projetos com esse propósito é a exposição inédita que chega a Porto Alegre no próximo dia 12 de maio e fica aberta para visitações na galeria dos Arcos, da Usina do Gasômetro, até o dia 19 de junho, como parte do Festfoto Poa. A abertura oficial está marcada para a quinta-feira, dia 12 de maio, às 19 horas. O horário de funcionamento será de terça à domingo, das 9h às 21h.

É o Projeto “Viventes”, idealizado pela fotógrafa e diretora artística do Ateliê da Imagem no Rio de Janeiro, Marian Starosta, com curadoria de Eder Chiodetto, que busca preservar as memórias deste período para que elas não se percam. Com idades entre 70 e 110 anos, estes são os últimos testemunhos vivos do terror que se viveu na Segunda Guerra Mundial contra os judeus. A exposição conta com o apoio da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS).

A meta é colocar frente-a-frente às vivências das novas gerações com a experiência de vida dos sobreviventes, gerando empatia através da sensibilidade artística. “Afinal, em tempos de volta aos fanatismos, a reflexão histórica deve passar pela empatia, é apenas sentindo que se pode verdadeiramente apreender e não apenas decorar fatos”, afirma Marian Starosta.

A mostra será uma instalação construída a partir de histórias orais, de retratos dos sobreviventes e do contexto em que vivem hoje, além de fotografias de objetos e documentos registrados a partir de visitas da fotógrafa a casa de 29 viventes que chegaram ao Brasil após terem escapado do holocausto. O primeiro entrevistado do projeto foi Aleksander Henryk Laks, presidente da Associação Brasileira dos Israelitas Sobreviventes da Perseguição Nazista, que faleceu no ano passado em decorrência de uma infecção pulmonar. A morte de Laks foi uma grande perda, especialmente porque de todos os sobreviventes entrevistados até então, foi o primeiro a falecer. Em outra história relatada e que faz parte da mostra, Miriam Brik Nekrycz, nascida na Polônia em 1932, conta que ela junto de seus familiares (irmãos, primos, tia e mãe) fugiram de um gueto, vagando pela floresta durante a fuga. Seu pai não havia tido a mesma sorte e fora levado antes  pelos nazistas. Na mata todos passaram fome, e ela, que tinha apenas 11 anos, saiu para pedir comida em casas da região. Uma das pessoas que abriram a porta ofereceu para Mirian comida em troca de trabalho, e ela aceitou a tarefa de cuidar uma criança na casa. Tendo conseguido a comida para a família voltou para a floresta, e então viu soldados alemães próximo do local onde seus parentes se escondiam. Andando escondida pela mata tropeçou e caiu, desmaiando logo a seguir. Quando acordou, os alemães haviam ido embora e ao chegar à beirada de uma vala encontrou os corpos de seus familiares que haviam sido fuzilados.

Depois de Porto Alegre, Viventes segue para o Rio de Janeiro, onde participará do FotoRio. E, ainda neste ano será lançado o livro que, além das fotografias de Marian Starosta, terá textos do rabino Nilton Bonder, da artista Leila Danziger, do curador Eder Chiodetto, do fotógrafo Rony Maltz e da historiadora Laura Trachtenberg e projeto gráfico de Elisa Von Randow.

Marian Starosta

Formada em Jornalismo pela PUC-RS (Porto Alegre. RS) e Mestre em Comunicação pela Unisinos (São Leopoldo, RS). Foi coordenadora de Artes Visuais na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. Em 2002 transferiu-se para Nova York a fim de completar o Programa de Certificado em Tempo Integral em Fotografia no International Center of Photography. Hoje, além de produzir suas séries fotográficas também atua como professora e diretora artística e pedagógica no Espaço Cultural Ateliê da Imagem, escola-referência do Rio de Janeiro.

Eder Chiodetto

Mestre em Comunicação e Artes pela ECA/USP, jornalista, fotógrafo, curador independente especializado em fotografia, com mais de 70 exposições nos últimos 10 anos no Brasil e no exterior. Autor dos livros: O Lugar do Escritor (Cosac Naify), Geração 00: A Nova Fotografia Brasileira (Edições Sesc), Curadoria em Fotografia: da pesquisa à exposição (Ateliê Fotô/Funarte), entre outros. Nos últimos anos tem realizado a organização e edição de livros de fotógrafos como Luiz Braga, German Lorca, Criatiano Mascaro, Araquém Alcântara e Ana Nitzan. É curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP desde 2006.

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