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Polícia investiga movimento armado que recrutou neonazistas gaúchos para lutar na Ucrânia

08.12.2016

Cerca de 40 agentes cumpriram, na manhã desta quinta-feira, oito mandados de busca em sete cidades gaúchas com o objetivo de impedir ações de um movimento armado que estava realizando reuniões com neonazistas no Rio Grande do Sul. Até as 7h40min, um suspeito havia sido preso, em Cruz Alta, por porte ilegal de munição. Com ele, também foi apreendido vasto material com apologia ao nazismo.

Segundo o delegado Paulo César Jardim, há pelo menos 10 meses um integrante italiano do chamado Misanthropic Division (grupo nacional socialista internacional e que já tem facção no Brasil) esteve em várias cidades do Estado recrutando jovens para lutar na guerra civil da Ucrânia.

A operação foi realizada em Cruz Alta, Caxias do Sul, Passo Fundo, Erechim, São Nicolau, Viamão e Canoas. A polícia apreendeu documentos, computadores e material de propaganda ideológica.

Foi confirmado pela investigação que este movimento armado é ligado ao “Batalhão Azov”, milícias neonazistas que estão em combate no leste europeu. O delegado Jardim confirmou que um integrante destes grupos esteve cooptando jovens gaúchos seguidores de Hitler.

— Eles ofereceram dinheiro e treinamento militar, estão fazendo isso no mundo inteiro e comprovamos que um porto-alegrense esteve lutando na Ucrânia após ser recrutado — revela Jardim.

O delegado suspeita que pelo menos outros cinco também estiveram na Europa, mas ainda precisa de provas e por isso foi realizada a operação desta quinta. Houve, desde o início do ano, reuniões em Caxias, Passo Fundo, Canoas e Cruz Alta sobre recrutamento e ações de guerrilha.

Jardim acredita que eles planejavam alguma ação em Porto Alegre, provavelmente contra judeus ou homossexuais, p0or isso, entende que foi necessário realizar está operação preventiva.

Segundo a investigação, ainda está sendo apurado o valor pago para que os neonazistas gaúchos fossem para a Ucrânia. Já se sabe que o integrante do movimento armado saiu do país e a polícia não está divulgando nomes pelo fato da apuração continuar.

Neonazismo 

A 1ª Delegacia da Capital descobriu o plano porque monitora neonazistas há 15 anos no Rio Grande do Sul e, desta forma, conseguiu identificar a presença desta facção armada no Estado. O chamado Misanthropic Division, vinculado ao grupo armado e neonazista Batalhão Azov, realizou dois ataques em janeiro deste ano contra um espaço de cultura em São Paulo. Além disso, a investigação apontou que há 300 células nacionais socialistas no Brasil com páginas na internet.

No Rio Grande do Sul, considerado em 2013 como o segundo Estado brasileiro que mais baixa da Internet conteúdo neonazista, já teve mais de 50 pessoas indiciadas em 25 inquéritos por este tipo de racismo. E 14 destas pessoas podem ir a julgamento por terem esfaqueado judeus no bairro Cidade Baixa em 2005. No momento, um recurso de 10 réus está sendo analisado.

Desde 2003, já foram registrados seis grandes atos neonazistas no Rio Grande do Sul, o mais recente na Capital, em 2012. Um estudo da Universidade de Campinas apontou que há no Sul do país cerca de 100 mil simpatizantes de Hitler, sendo que 42 mil são gaúchos.

Em 2006, a Rádio Gaúcha divulgou série de reportagens sobre os chamados Nazistas Sulinos e, em 2009, revelou o envolvimento de um neonazista gaúcho na morte de um casal no Paraná. Jovens estavam criando um novo grupo, a Neuland, para práticas racistas no Sul do Brasil.

 

Fonte: Zero Hora

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