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Neymar e o PSG: muito mais que uma transferência milionária

11.08.2017

*por Marcos Weiss Bliacheris no Medium

A imprensa brasileira e internacional não cansa de discutir os motivos e valores da transferência do Neymar para o Paris Saint Germain, a maior da história do futebol internacional.

Do ponto de vista esportivo, Neymar espera ser no PSG um protagonista e não “apenas” o coadjuvante de Messi, junto com Suárez em um ataque espetacular. Já os qataris, donos do clube parisiense, enxergam no craque brasileiro a esperança de levar o PSG à primeira linha do futebol europeu conquistando a mais importante, televisionada e lucrativa competição do futebol atual: a Champions League.

Um título da Champions League levaria o PSG a um novo patamar, o que justificaria, até mesmo economicamente, o avião de dinheiro investido.

Mas se futebol é muito mais que um jogo, também é porque o futebol é, além de um esporte, entretenimento, negócio e, claro, política.

O Qatar é um pequeno emirado situado entre dois gigantes rivais: a Arábia Saudita, pró EUA, líder do mundo sunita por sua riqueza e por ser o local dos lugares sagrados vinculados à vida de Maomé, exportadora da vertente wahabista do Islamismo e o Irã, anti EUA, centro do mundo xiita, exportadora da fundamentalista Revolução Islâmica.

O Qatar, apesar do pequeno tamanho, vem tentando se impor como uma nova potência regional, sem um alinhamento automático a nenhum dos dois vizinhos. Por um lado, parece mais ocidental que a Arábia Saudita e por outro, é mecenas de grupos fundamentalistas afinados com Teerã.

A disputa pela hegemonia regional, levou a uma crise com a Arábia Saudita, inclusive com a imposição de sanções ao pequeno emirado e ao corte de relações diplomáticas por parte dos sauditas, dos Emirados Árabes Unidos, de Bahrein e do Egito.

A estratégia qatari é baseada principalmente no soft power, aquele que busca usar a influência cultural e midiática para atingir seus objetivos. O primeiro reflexo desta estratégia foi o estabelecimento da rede de televisão Al Jazeera, a chamada CNN do mundo árabe. A rede estabeleceu um novo padrão na imprensa árabe, falando de assuntos até proibidos, entrevistando autoridades israelenses e apoiando as revoltas por democracia no mundo árabe. Os críticos ironizam que a rede fala de todas ditaduras árabes — menos a do Qatar, seu dono.

Outro ponto importante desta estratégia são os esportes. O Qatar vem sendo sede de várias competições internacionais e vem montando seleções para competir nelas. O grande exemplo disso foi o Mundial de Handball de 2015, sediado pelo emirado com a final jogada na capital Doha. A polêmica seleção nacional, formada por 13 atletas naturalizados e 4 locais chegou à final de uma competição marcada por acusações de benefícios da arbitragem para o país-sede. Não só os jogadores eram estrangeiros mas o técnico também era. Torcedores espanhóis foram contratados para torcer pela seleção árabe.

No futebol, o Qatar patrocina grandes equipes como o Barcelona, time de origem de Neymar.

O Barcelona estampou em sua camiseta o patrocínio da Qatar Foundation, levando polêmicas de apoio ao terrorismo e antissemitismo, sendo substituída pela companhia aérea qatari.

A exemplo das outras modalidades, o Qatar sediará a Copa do Mundo de 2022, a segunda a ser realizada na Ásia e a primeira a ser realizada no mundo árabe. A escolha vem sendo contestada por entidades de defesa dos direitos humanos e sindicatos internacionais tendo em vista as péssimas condições de trabalho e os constantes casos de escravidão moderna.

Outro marcos da estratégia de dos investimentos esportivos do emirado petrolífero é o PSG. Nasser Al-Khelaif, investidor próximo da família real qatari comprou o clube em uma negociação que envolveu o ícone do futebol francês Michel Platini e o presidente Sarkozy (futuro vizinho de Neymar).

Não é de hoje que o esporte e o futebol são uma máquina de relações públicas, o que faz que fortunas suspeitas e governos impopulares ou com problemas de aceitação na comunidade internacional, mas com bastante dinheiro, invistam no esporte. A lista é longa e vai de ditadores como Khadafi aos novos oligarcas russos investindo no futebol inglês. Um membro da realeza dos vizinhos Abu Dhabi é o proprietário do Manchester City.

O PSG é parte do soft power qatari, da tentativa de mostrar uma face sorridente para o mundo ocidental e se firmar como um player regional. O futebol é o esporte mais popular do mundo, a Liga dos Campões, sua maior vitrine e Neymar um astro global.

A contratação do Neymar é mais um passo desta estratégia que, com tantos interesses envolvidos, justificam o desembolso inédito e milionário. Será Neymar o garoto-propaganda do Mundial de 2022 e o novo rosto esportivo do Qatar.

                                        Neymar com o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi.

Agora, é tudo com o camisa 10 da Seleção Brasileiras. Em campo, terá que justificar os milhões investidos em seu futebol. Sua contratação já deixou em segundo plano as notícias sobre a crise diplomática e os abusos aos direitos humanos na construção das sedes da Copa de 2022. Porém dele, se espera muito mais: transformar o PSG movido a petrodólares em campeão europeu e potência esportiva mundial.

A bola está com Neymar.

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