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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

A Libertação de Auschwitz

21.01.2019

Os quatro batedores ucranianos do exército soviético romperam, em 31 de janeiro de 1945,  as correntes do portão do campo de extermínio de Auschwitz (Oswiecim na Polônia) e encontraram não mais do que sete mil sobreviventes.

Tarde, demasiadamente tarde, causado por vinte e sete milhões de mortos e duas mil cidades destruídas  na extinta União Soviética.

Nesse complexo de uma centena de “laggers”,  um milhão e quinhentos mil judeus foram assassinados. Sob aspectos diferentes, recordamos essa data para a reflexão de fatos e relatos como memória ética e histórica.

1.  Auschwitz foi erguido para utilizar trabalho escravo judeu para a Bayer. No local havia minas de cal, das quais o complexo industrial e militar alemão tentaria produzir combustível.

2.  Primo Levi, que depois seria o mais importante testemunho literário dessa tragédia cósmica, estava na enfermaria do campo. Surpreso com o silêncio no início do dia, sem ouvir as famigeradas ordens, verificou pela janela que os alemães haviam fugido. Para Levi, o silêncio falou mais alto.

3.  Roosevelt, que era o presidente americano, recusou todas as sugestões para bombardear as linhas férreas, em cujos vagões de gado eram levados os judeus.

4.  Em um certame de documentários realizado no Brasil, em 2018, uma película mostrava o relato lento e pausado de um sobrevivente de Auschwitz. Retidos na estação  de trem em algum lugar da Iugoslávia, soube que as linhas tinham sido sabotadas pelos guerrilheiros partisans, chefiados por Tito, futuro chefe de Estado daquele país.

5.  Quando os soviéticos avançavam para Berlim, escolhiam preferencialmente judeus sobreviventes como prefeitos das cidades liberadas. Sabiam e reconheciam sua capacidade.

6.  A pesquisa do historiador brasileiro-israelense Michel Guerman revela que na invasão alemã contra a União Soviética, aproximadamente dois milhões de judeus foram salvos e evacuados pelo governo para o leste.

7.  Finalmente, o espanhol Jorge Semprún, escritor e cineasta, prisioneiro de Buchenwald, durante a cerimônia nesse campo, disse em memorável discurso que a humanidade deveria aprender com os judeus a cultivar e difundir a memória do Holocausto, lição  para o presente.

A verdadeira História é a História.  Senhora e razão da própria História.

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