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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

HOLOCAUSTO – A Memória Ensina

23.01.2017

27 de Janeiro de1945.

Primo Levi, judeu de Turim, prisioneiro de Auschwitz, internado na enfermaria do campo, no início da manhã, estranha o silêncio. Ele que sempre ouvia as ordens da SS e dos kapos mandando acordar, marchar, trabalhar como escravo ou ir para as câmaras de gás, fica surpreso com o silêncio. Seu companheiro de catre, um velho prisioneiro judeu polonês depois de olhar para fora, lhe diz que os alemães tinham fugido.

Antes de chorarem, os dois cantam baixinho a Internacional para comemorar o fato.

Logo quatro soldados soviéticos a cavalo se aproximam e abrem os portões.

Tarde. Demasiado tarde. Daquele campo somente sobraram seis mil prisioneiros. Um milhão e meio morreram nas câmaras de gás, fuzilados ou por fome. Os soldados sovieticos, conta Levi em seu testemunho, levam no colo os prisioneiros enfraquecidos e ele é beijado no rosto por um soldado.

O episódio é narrado por Levi em seu ‘A Trégua’.

Auschwitz era um complexo com uma centena de laggers. Propriedade da I G Farben onde se tentava produzir combustível sintético à base de cal ali existente em abundância.

Outras indústrias alemães produziam material bélico também com trabalho escravo no mesmo campo.

Pelas suas dimensões de horror, indescritíveis, Auschwitz torna-se o símbolo do Holocausto.

Essa é a primeira lição.

Não foi o Holocausto dos judeus e o assassinato de 60 milhões uma obra de loucos ou degenerados. Foi resultado de uma racional organização comandada  pela elite e pelo capitalismo alemão.

As pseudo teorias raciais foram criadas por pseudo cientistas e executadas por pseudo médicos: seus experimentos e genocídios tinham a organização racional de uma grande empresa.

Essa é  a segunda lição.

Na VII JORNADA SOBRE O ENSINO DO HOLOAUSTO  em setembro de 2016, ficou definido que os judeus, o maior contingente de vitimas do nazismo, não foram apenas vítimas, mas também atores da História. Eles serão os eternos paradigmas das minorias destinatárias e protegidas pelos Direitos Humanos que se firma institucionalizado depois de 1945.

O dia 27 de janeiro ficou estabelecido pela ONU como a data da memória e da reverência às vitimas: seis milhões de judeus.

A proposta de resolução da ONU, segundo informa a CONIB, teve como um dos primeiros signatários, ou exatamente o primeiro, o Presidente do Brasil.

São as lições que o Holocausto ensina à humanidade.

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