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Nurit Masijah Gil

Sou paulista e moro em Porto Alegre há tempo suficiente para não lembrar da vida antes do ‘bah’. Publicitária, pós graduada em marketing, mãe de duas crianças incríveis (desculpem, foi irresistível), empresária e com desejos literários, meu objetivo nesta coluna é sensibilizar nossa sociedade com informação para desconstruir esterótipos e diminuir preconceitos. Parece utopia, mas prefiro acreditar não passa de um bom desafio.

Feliz 2016

21.12.2015

Trinta e cinco. Não troco por nada neste mundo. Nem pelo corpo de vinte ou sequer por suas possibilidades infinitas. Mais norte, menos neuras: viva o que ganhamos com o passar dos anos. Para o próximo estão programados, além da tatuagem que nunca tive coragem, a liberdade que só um – desculpe o vocabulário baixo, mas não há sinônimo à altura no Aurélio – foda-se bem dado é capaz de oferecer. Cansei de perder minha paz.

Prefiro. Vermelho. Na casa, na unha, nas roupas. Nina Simone, The Cranberries, mulheres cantando – não é sexismo, mas fascinação. Beleza Roubada, meu filme. Como Água para Chocolate, meu livro. Melhores que terapia. Ou pensando bem, adoraria voltar para a terapia. Sanidade, alívio, paixão: colocar os pensamentos no papel. Não gosto de novela, não sei quem é aquele ator, desculpe. Se quiser conversar sobre roupas, procure outra pessoa: descobri faz pouco o que é MK. A favor da legalização da maconha e do aborto. Raramente perco a paciência. Perdi com você? Acredite, passou dos limites. Ou me acordou cedo. Frequento grupos de Whatsapp por convenção social, me enlouquecem. Sei fazer baliza, carregar mala, matar aranha. Sexo frágil só na hora de abrir o vidro de palmito.

Preciso. Cafeína para começar. Merlot para terminar. Não negociáveis. Um bom papo e te conto minha vida. Viver no campo, cheiro de bolo saindo do forno, de refogado, de lavanda. Altamente viciada em assumir dezenas de projetos paralelos. Ócio, quem? Dias de vinte e quatro horas e sou eu quem preciso dar um jeito do meu mundo caber neles.

Amo. Eu te amo na hora certa, eu te amo na hora errada, eu te amo sem hora alguma. Ser protetora incondicional de pesadelos, detentora de beijos mágicos que curam machucados e da receita secreta de suco do Hulk. Orgulho de filho querendo voar, felicidade com filho querendo voltar. Cheiro de filho, abraço de filho, sono de filho, risada de filho, pergunta de filho, mundo de filho, filho. Casamento e maternidade, meus dois pés no chão e coração nas alturas. Esquece, é mais: meu universo.

Sou. Dois quadros pintados pelo meu avô, herói, gigante enfeitando minha vida: um rabino e o viaduto da 23 de maio. Judaísmo e minha cidade natal. Tantos anos depois e uma mensagem ao pisar em casa “chegou bem, filha?”. A intimidade de saber que minha TPM é curada com chocolate branco ou uma dose etílica. A intimidade. Abraço sem motivo. “Dormiu bem?”. Lar. Leão, ascendente em escorpião. De meiga, só a fachada. Ordem externa, caos interno. Solitária sem solidão, amante do silêncio.

Quando eu crescer. Quero. Muito. Ainda.

Viciada em retrospectivas de dezembro. Sempre tão bom fazer um balanço. Num ano maluco e com perspectivas difíceis, desejo que possamos seguir respeitando o que preferimos, precisamos, amamos, somos e olhando para nossas possibilidades, que continuam infinitas.
Feliz ano novo!

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