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Exposição no Museu da UFRGS retrata realidade em campo de concentração pelo olhar de crianças

13.01.2016

Após passar por diversos países da Europa, Israel, São Paulo e Brasília, a exposição As Meninas do Quarto 28 está em Porto Alegre, no Museu da UFRGS. A mostra retrata o dia a dia de meninas judias que foram confinadas no gueto de Theresiendstadt, na então Tchecoslováquia, durante a invasão alemã sofrida pelo país na Segunda Guerra Mundial.

A exposição reúne desenhos das crianças e uma réplica de seu alojamento. O gueto de Theresiendstadt, antiga fortaleza a 60km de Praga, serviu de prisão para artistas, cientistas, músicos, intelectuais e outros judeus. O grupo de meninas judias relembrado pela exposição viveu nesse gueto, no alojamento L410, quarto 28. Os artistas utilizaram seus conhecimentos para proporcionar às meninas atividades de pintura, desenho e música e aulas de matemática, história e geografia. Assim, trouxeram às crianças prisioneiras momentos de esperança e alívio, tentando evitar que suas vidas fossem devastadas pela guerra. As produções servem como registro dessa história e dos primórdios da arteterapia. Reunidas pela jornalista e escritora Hannelore Brenner, deram origem ao livro e à exposição itinerante As Meninas do Quarto 28.

Com comitê curatorial composto por Dodi Chansky, Karen Zolko e Roberta Sundfeld, As Meninas do Quarto 28 foi chancelada pela ONU e escolhida pela União Europeia, em 2013, para a homenagem no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Confira a matéria do Jornal do Almoço sobre a exposição.

A exposição poderá ser visitada até 31 de março de 2016, no Museu da UFRGS (Av. Osvaldo Aranha, 277, Campus Centro). A entrada é franca.

A história

A invasão alemã à Tchecoslováquia, em 1939, lançou uma verdadeira perseguição aos judeus no país. Muitos foram enviados para guetos e campos de concentração.

Em Theresienstadt, antiga fortaleza a 60 km de Praga, instalou-se um gueto para artistas, cientistas, músicos, intelectuais e outros judeus. Cerca de 60 meninas, de 12 a 14 anos, passaram pelo quarto 28 do gueto. Apesar da situação miserável, do racionamento de comida e do onipresente medo de ir para o “leste” (Auschwitz-Birkenau), as meninas puderam ter contato com os professores, compositores e artistas que também eram prisioneiros em Theresiendstadt. Os presos decidiram usar seus conhecimentos para minimizar o sofrimento das crianças com atividades artísticas.

Entre estes adultos, encontrava-se a artista plástica Friedl Dicker Brandeis. Friedl percebeu que a arte poderia ser uma importante ferramenta terapêutica para ajudar as crianças a superar as adversidades e lidarem com os terríveis sentimentos de perda, medo e incerteza. Assim, começou a dar aulas técnicas de desenho e pintura para a ala infantil do campo de concentração. A artista contava histórias e pedia que as crianças fizessem ilustrações. As narrativas serviam como distração da triste realidade de Theresiendstadt.

Considerada hoje uma das precursoras da arteterapia, Friedl ficou em Theresiendstad por quase 2 anos e conseguiu esconder os quase cinco mil desenhos de seus alunos em suas malas antes de ser levada para Auschwitz, em 1944. Esses desenhos foram encontrados 10 anos depois da guerra e levados para um museu em Praga, na República Tcheca.

Das meninas que passaram pelo Quarto 28, foram encontrados cerca de 500 desenhos. Nas mãos da jornalista e escritora Hannelore Brenner, eles deram origem ao livro e à exposição As Meninas do Quarto 28. As produções servem como vestígios dessa história e dos prelúdios da arteterapia. Das 15 mil crianças do campo de concentração, apenas 93 sobreviveram. Entre estas, 15 são sobreviventes do Quarto 28.

 

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