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Em O Globo, presidente da Fundação Jerusalém condena “ataques sem conteúdo” a Peres

04.11.2016

Em texto publicado esta sexta-feira, 28 de outubro, pelo jornal O Globo, o presidente da Fundação Jerusalém, Claudio Lottenberg, condena ataque recente a Shimon Peres em texto opinativo publicado no mesmo jornal: “Depois de 48 anos de mandatos e um Prêmio Nobel, Peres não precisa de unanimidade, mas merece um mínimo de compromisso com a verdade”.

Leia abaixo a íntegra do texto:

Oportunismo relevante, partindo de referências falsas, no sentido de ocupar espaços que jamais teriam caso se pautassem pela verdade. Isso não é novo!

De fato, existem intelectuais que questionam Israel, mas nenhum deles distorce ofensivamente a liderança de um Shimon Peres. A maior prova desta consistência está respaldada pela presença, em seu funeral, de Mahmoud Abbas e de mais de 80 outros líderes mundiais.

Um artigo crítico a Peres destoa e agride o clima de respeito mútuo em que vivem as comunidades árabe e judaica no Brasil. Isso deve ser protegido e preservado por todos nós.

Shimon Peres — depois de 48 anos de mandatos parlamentares, com um Prêmio Nobel da Paz e o reconhecimento internacional — não necessita de unanimidade, mas merece entre os seus poucos críticos um mínimo de compromisso com a verdade.

Afirmar que Peres, como presidente de Israel, ordenou a invasão a Gaza e renunciou ao cargo, em 2014, é um crime contra a História. Uma aberração intelectual.

Em Israel, o cargo de presidente é meramente protocolar e honorífico, não tendo qualquer tipo de ingerência no governo. Além disso, Peres ficou até o último dia de seu mandato constitucional de sete anos. Dizer que renunciou é uma agressão ao conhecimento elementar, chegando às raias da ignorância política.

A literatura de Shimon Peres é vasta e nunca o vi discutindo somente com quem negociava, mas também para quem negociava. E não venham me dizer ou falar falsamente dos delírios relativos a limpezas étnicas ou apartheid, pois basta conhecer Israel presencialmente para se constatar que isso não ocorre por lá.

O Estado de Israel foi o único país no mundo que tirou negros da África, não com o objetivo de escravizá-los, mas para trazê-los para viver livremente na mais perfeita democracia do Oriente Médio.

A propósito, houvesse um entendimento da coexistência por parte dos palestinos que não o aceitaram, até por influência de alguns radicais do mundo árabe, e que negaram o direito a Israel de existir, em 1948, a situação hoje seria muito diferente.

E Shimon Peres sempre acreditou nisso, no resgate do plano inicial com dois estados — o que muitos se negam a aceitar. Enquanto uma proposta da coexistência verdadeira e sincera não existir, falsários seguirão tentando macular a imagem de Peres e de Israel, com o objetivo único de promoção pessoal ou para obter vantagens inconfessáveis.

 

Fonte: CONIB

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