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Leniza Kautz Menda

Contra o fanatismo, uma pequena abordagem baseada no livro de Amós Oz

20.11.2015

É muito difícil lidar com um fanático. Assim, é muito difícil lidar com o Estado Islâmico e combatê-lo, uma vez que este grupo está imbuído de fanatismo.

Na verdade, todos nós somos fanáticos. O fanatismo está em quase todos os lugares, e suas formas mais silenciosas estão presentes em nosso entorno. Os antitabagistas provavelmente o queimarão vivo, se você acender um cigarro perto deles! Os vegetarianos o comerão vivo por comer carne! Segundo Amós Oz, muitos israelenses o consideram um fanático, visto que ele possui idéias bem definidas a favor da paz com os palestinos. Ele também é considerado um traidor e inimigo pelos radicais extremistas que vivem em Israel.

Oz considera o humor fundamental para a “cura” parcial do fanático, se assim podemos nos expressar. Nada melhor do que as próprias palavras do autor para explicar o verdadeiro valor do senso do humor no combate ao fanatismo radical:

“Acho que inventei o remédio para o fanatismo. Senso de humor é uma grande cura. Nunca vi na minha vida um fanático com senso de humor, nem vi uma pessoa com senso de humor tornar-se fanática, a menos que tenha perdido o senso de humor. Os fanáticos são , frequentemente, muito sarcásticos. Alguns deles têm um senso de sarcasmo muito mordaz, mas não têm humor. O humor inclui a capacidade de rir de nós mesmos… Muito bem, se eu pudesse comprimir senso de humor em cápsulas e, em seguida, persuadir populações inteiras a engolir minhas pílulas de humor, imunizando, assim, todo mundo contra o fanatismo, poderia me qualificar, em algum momento, para o Prêmio Nobel de Medicina, não de Literatura. A idéia de comprimir senso de humor em cápsulas, de fazer as pessoas engolirem minhas pílulas de humor para o seu próprio bem, curando-as, assim, de seu problema, é uma idéia ligeiramente contaminada de fanatismo. Tenham muito cuidado, pois o fanatismo é extremamente pegajoso, mais contagioso que qualquer vírus. Vocês podem contrair facilmente fanatismo, mesmo quando estiverem tentando derrotá-lo ou combatê-lo. Leiam os jornais ou assistam às notícias na televisão, e verão com que facilidade as pessoas podem tornar-se fanáticas, anti-fanáticas, radicais anti-fundamentalistas, cruzados anti-jihad. Afinal, se não podemos derrotar o fanatismo, talvez possamos, pelo menos, contê-lo um pouco. Como disse anteriormente, a capacidade de rir de nós mesmos é uma cura parcial, a capacidade de nos vermos como os outros nos vêem é um outro remédio”. (OZ, 2004, pp. 35-6).

Oxalá nós pudéssemos, seguindo os passos de Amós Oz, combater os fanáticos através do riso e do humor. Embora seja uma tarefa inglória, não custa tentar!

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