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Comunidade judaica relembra o Holocausto e debate a importância da educação e do jovem para o futuro

05.05.2016

No dia 5 de Maio, a Federação Israelita do RS e o Colégio Israelita Brasileiro promoveram no Auditório Paulina Goldsztein o painel “A Educação após o Holocausto”, evento que fez parte do Iom HaShoá, o Dia da Lembrança do Holocausto e da Bravura, dedicado a lembrar os heróis e mártires de um dos processos mais obscuros da história.

O painel, que iniciou às 19 horas, contou com a participação do Mestre em Filosofia, Doutor em Educação,  Professor Pedro Savi Neto; do coordenador do Grupo de Diálogo Inter-religioso de Porto Alegre, Rabino Guershon Kwasniewski e do Professor de Hebraico e Cultura Judaica, especialista em Educação Judaica pelo Instituto Melton da Universidade Hebraica de Jerusalém e Coautor do livro “Ensinando sobre o Holocausto na escola”, Professor Ilton Gitz, que foi o moderador. O objetivo foi debater o Holocausto, resgatar a cultura e estudar a vida dos judeus daquela época, além de propor aos participantes que se coloque no lugar das outras pessoas, indo de encontro às diferentes discriminações existentes na sociedade.

“Vivemos um momento especial, porque somos as últimas gerações que tiveram oportunidade de conviver com um sobrevivente da Shoá. Como fazer com as próximas?”, indagou Gitz ao passar a palavra aos painelistas.

Rabino Guershon elencou algumas ações e atitudes que devem ser mudadas pela comunidade. Uma delas é a forma de comunicar o holocausto. “Até hoje falamos em 6 milhões de judeus mortos. Com o tempo, percebi que é um erro usar neste número de forma isolada, porque é muito difícil imaginarmos tantas pessoas. É muito distante da realidade de qualquer um”, avaliou. Para Guershon, é preciso mostrar a visão do indivíduo. “Como foi o holocausto do médico judeu, do operário, do advogado? Precisamos dar nomes e sobrenomes, contar suas histórias. Dar concretude ao holocausto”.

As outras formas de educar, segundo Guershon, passam pelas constantes visitas a museus e exposições itinerantes; pelo registro das memórias dos últimos sobreviventes; pela valorização da bravura do povo judeu. “Se temos histórias de bravuras, temos que valorizar e nos orgulhar disso”; e por revelar os holocaustos dos outros povos. “Como viveram os ciganos. Como eles passaram por esse episódio? Quem são eles? Precisamos encontrar outros caminhos de contar essa história”, finalizou.

Já o professor Pedro Savi Neto se utilizou dos pensamentos dos filósofos Theodor Adorno e Reyes Mate, alicerces de seu trabalho de doutorado, para embasar sua defesa de que o Holocausto mudou a lógica kentiana do pensar ético. “A partir de Auschwitz, não posso pensar a ética como algo abstrato. Preciso colocar em um espaço e tempo específico, disse Adorno”, citou Neto para afirmar que Auschwitz confere a concretude a uma razão abstrata.

Para ele, o sofrimento daqueles que foram “vencidos” deve ser o ponto central do processo educacional.

Pela manhã, no mesmo dia, o Colégio recebeu o projeto “OAB vai à Escola”, que tem como objetivo conscientizar estudantes sobre a importância dos direitos humanos e da cidadania, através de palestras e debates realizados por advogados voluntários nas salas de aula. Houve também toques de um minuto de silêncio para reverenciar a data.

Ao longo do horário escolar, entre os dias 3 e 6, ocorre a “Exposição de Fotografias: 7 Anos de Marcha da Vida”, no Centro Cultural da Ir Ktaná e no saguão do Colégio. A  mostra exibe fotos dos estudantes do Colégio Israelita, que juntos a milhares de pessoas do mundo realizam a Marcha da Vida, caminhando entre os campos de Auschwitz e Birkenau, na mesma trilha da “Marcha da Morte” feita pelos prisioneiros do Holocausto.

A coordenadora de Ensino Judaico do Colégio Israelita, Ilse Edla Bejzman Wofchuck, afirma que: “as atividades são uma oportunidade de estudar não só o holocausto, mas também a cultura que foi destruída na Europa, neste período”.

“A ideia foi propor algo diferente para mobilizar a comunidade em torno de um tema importante”, disse o presidente da Federação Israelita, Zalmir Chwartzmann.

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