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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

As duas irmãs de Renoir – o Holocausto assassinou uma obra de arte

23.04.2019

Em 19 de abril de 1943, os judeus do gheto de Varsóvia se insurgiram contra o nazismo. Lembrar esses jovens heróis traz também outra evocação.

Uma tela de Pierre Auguste Renoir.

Em 1881, o francês  Pierre  Auguste Renoir, um dos principais pintores da História  da Arte, conclui o quadro AS DUAS IRMÃS.

Obra de encomenda, seu mecenas ajudou Renoir na época pouco conhecido, contratando uma tela para ajudar o pintor.

O mecenas era o banqueiro judeu  Louis Raphael Cahen D’Anvers, nascido na Alemanha.

Outras encomendas se seguiram.

Os modelos para AS DUAS IRMÃS foram as pequenas filhas de  Louis, Alice e Elisabeth.

A obra é  expressionista com traços do antigo barroco e também nominadoa  pelas cores das vestimentas das meninas, AZUL E ROSA.

Com a ocupação nazista na França,  Elisabeth, a mais velha das meninas, é  aprisionada em Auschwitz onde será assassinada assim como parte considerável da sua família.

O quadro, que  já  caíra no desagrado da família, perambulou por galerias europeias, até ser arrematado por um colecionador americano e que o vendeu  em 1952  para Assis Chateaubriand, dono  do extinto Diários Associados, então  a maior cadeia de TV, jornais e revistas(O Cruzeiro) da América Latina.

Assis, com a experiência de P. M. Bardi, estava formando o monumental Museu de Arte de São Paulo, atualmente na Av. Paulista, e encontrou a talvez mais expressiva obra do MASP.

O quadro tem fama planetária.

Mas um outro significado dele emerge: os nazistas queimaram  quadros, livros, esculturas consideradas decadentes inclusive de autoria de comunistas e socialistas e judeus.

Ao assassinar a criança retratada na tela de Renoir, também  assassinava obras primas da arte.

Hoje, a memória das vítimas não  é  apenas histórica ou emocional. Essa vítima está lembrada em um museu de arte,  em uma soberba tela, ao lado das outras obras de arte que qualificam a humanidade e dizem: o nazismo não  venceu e não vencerá.

Ao destruir milhares de obras de arte e assassinar a pequena judia Elisabeth, o nazismo mostrou a sua  cruel face de contracorrente direitista  da História.

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