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Nurit Masijah Gil

Sou paulista e moro em Porto Alegre há tempo suficiente para não lembrar da vida antes do ‘bah’. Publicitária, pós graduada em marketing, mãe de duas crianças incríveis (desculpem, foi irresistível), empresária e com desejos literários, meu objetivo nesta coluna é sensibilizar nossa sociedade com informação para desconstruir esterótipos e diminuir preconceitos. Parece utopia, mas prefiro acreditar não passa de um bom desafio.

Aos vinte

09.01.2017

Eu acreditava que poderia tudo. Enquanto o passar dos anos ensina que para voar é preciso do impulso dos pés no chão, os vinte nos deixam acreditar que basta fechar os olhos.

E cursei uma faculdade, uma pós-graduação, fiz uma dezena de cursos. Trabalhei e troquei de profissão tantas vezes para acompanhar a mudança das minhas certezas. Viajei, namorei, chorei por amor, por desilusão, por arrependimento. De tanto rir. Experimentei. Casei, mudei de cidade, construí uma casa, escolhi o nome dos meus filhos. Tive filhos. E se tivesse sido apenas por eles, já valeriam as experiências de uma década inteira.

Os vinte foram anos generosos. Possibilitaram que eu realizasse e errasse um tanto de vezes suficiente para que hoje, uma década depois, eu pudesse ter a certeza de que esse ciclo é infinito. E ansiar por ele. Realizar e errar. Tudo isso porque eu fechei os olhos, aos vinte, e sonhei.

Ontem, quatro jovens de vinte anos foram impedidos de estudar, trabalhar, mudar as certezas, chorar por amor. De ter filhos se quisessem.

E fecharam os olhos sem sonhar.

A mídia noticiou serem quatro soldados, mas não eram diferentes das vítimas de Nice ou Berlim. Eram quatro pessoas. Fardadas por fazerem parte de um povo que aprendeu com a história que para sobreviver, precisaria aprender a se defender. De resto, acreditavam – como eu ou você já acreditamos – que bastava fechar os olhos para voar.

O Hamas comemorou as mortes distribuindo doces nas ruas. E um mundo ocidental transfigurado, carecendo de líderes ou de uma Organização das Nações Unidas que não seja desprezível, começa a sentir na pele o que é morrer por não ser igual a ‘eles’, sejam ‘eles’ quem forem. Não se enganem com bodes expiatórios, o motivo é este.

Será que ainda é cedo demais para tantos países entenderem que, ao lado de Israel, somos ‘nós’?

Em memória de Yael Yekutiel, Shir Hajaj, Shira Tzur e Erez Orbach. Baruch Dayan Haemet.

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