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Nurit Masijah Gil

Sou paulista e moro em Porto Alegre há tempo suficiente para não lembrar da vida antes do ‘bah’. Publicitária, pós graduada em marketing, mãe de duas crianças incríveis (desculpem, foi irresistível), empresária e com desejos literários, meu objetivo nesta coluna é sensibilizar nossa sociedade com informação para desconstruir esterótipos e diminuir preconceitos. Parece utopia, mas prefiro acreditar não passa de um bom desafio.

Am Israel Chai

10.06.2016

Meu nome é Nurit. A pronúncia correta tem ênfase na segunda sílaba. Nur é luz. Nurit, o nome de uma flor. Tenho trinta e cinco anos.

Sou paulista, do meio dos arranha-céus. Meus pais são separados e sou a mais velha de três irmãs. Como fui criada só com mulheres, nunca aprendi a lidar com os ímpetos de testosterona masculinos. Em TPM, sou expert.

Leonina, ascendente em escorpião. Falo baixo, tenho jeito de meiga, mas sou decidida.

Casei de véu e grinalda aos vinte e dois com meu segundo namorado. Mudei de estado, aos trancos e barrancos, por livre e espontânea vontade. Tenho dois filhos, um casal. Ela adora filmes de princesas, dormir com histórias e abraços apertados. Ele é fã de rock’roll, partidas de futebol e beijos de boa-noite.

Estudei publicidade, fiz pós graduação em marketing, já trabalhei em multinacionais, como representante comercial, como mãe em tempo integral. Sempre gostei de escrever e publiquei meu primeiro livro há dois anos. Enquanto a idéia de viver da escrita é utopia, invisto na paixão por projetos empreendedores. Minha cabeça não para nunca, tenho cerca de vinte idéias incríveis por dia (incríveis ao menos na minha opinião) e talvez por isso, seja uma ansiosa crônica. Fui fumante por anos e hoje não dispenso uma taça de vinho todas as noites.

Pessoas inteligentes me atraem. Adoro café. Prefiro montanhas a praias.

Assim como você, gosto de cinema, de jantar especial, de livro na cabeceira. Tenho planos para a minha família, já errei receitas de bolo, adoro cheiro de pão fresquinho. Já chorei de tanto rir, já superei grandes dramas, sou fã de terapia. Se saísse do Brasil sentiria falta de pão de queijo, brigadeiro e leite condensado. Na minha casa também chegam contas de luz, IPTU e condomínio. Ano que vem, se sobrar dinheiro, o plano principal é fazer uma viagem em família. Viajar é uma das mais deliciosas partes da vida.

Ah, faltou dizer: eu, meu marido e meus filhos somos judeus.

Na última semana foram assassinadas pessoas que como eu e você eram cheias de sonhos, histórias e amores. Mas que como eu, eram judias. Menos de um século após um dos episódios mais devastadores e vergonhosos da história recente, voltamos a morrer por sermos judeus. E novamente, sob o silêncio do mundo.

Você conversa comigo, ri alto comigo, trabalha comigo, mora ao meu lado. Ficará em silêncio se quiserem assassinar minha família?

Por favor, não fechem os olhos para o anti-semitismo.

‪#‎telaviv‬ ‪#‎amisraelchai‬

 

 

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