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Aliáh: número de não judeus supera o de judeus em 2018, entenda por quê.

18.01.2019

Por Marcus M. Gilban

Pela primeira vez desde a independência em 1948, Israel anunciou que o número de olim chadashim (novos imigrantes) judeus foi superado em 2018 por aqueles que, para o Rabinato Chefe, não são considerados judeus.

Como assim? Goy (não-judeu) pode fazer aliá? A primeira coisa que você pensa é que cristãos ou muçulmanos vêm desembarcando no Estado Judeu em números significativos. Não. O buraco é mais embaixo. Segundo números divulgados pelo Escritório Central de Estatísticas de Israel, 17.700 dos 32.600 que fizeram aliá em 2018 sob a Lei do Retorno foram listados como “sem religião”.

Ateus? Agnósticos? Também não. Tais imigrantes, vindos em grande parte da antiga União Soviética, têm ascendência judaica (pais ou avós), condição para a aliá. Alguns de fato não são judeus e trouxeram consigo toda uma bagagem cristã, incluindo celebrações, comidas e tradições. Mas muitos se consideram judeus, mesmo sendo filhos apenas de pai judeu. E aí reside o maior dos problemas.

O Rabinato Chefe, ortodoxo, usa os padrões da Halachá (lei judaica): ter mãe judia ou ter sido convertido ao judaísmo sob autoridades ortodoxas autorizadas. Desta forma, tais israelenses são inelegíveis para se casar como judeus sob o sistema judiciário rabínico controlado pelo Estado.

O problema é antigo, surgiu quando da fundação do Estado. Para ganhar o apoio da comunidade ortodoxa que residia no país, Ben Gurion concedeu-lhes o monopólio das questões religiosas, o que, além de casamentos, inclui conversões, enterros, kashrut e gestão de lugares sagrados como o Kotel.

O resultado hoje é um debate acalorado sobre a identidade judaica. Ao todo, já existem cerca de 400 mil pessoas nesta situação. Durante o nazismo na Europa, seriam enviadas para a morte. Em Israel, são alijadas pelo Rabinato Chefe. A maioria vem da antiga União Soviética, mas também de vários países, como o Brasil. Se um judeu fez aliá com sua esposa não-judia e filhos, apenas o pai foi registrado como judeu, ou seja, a esposa e os filhos, para o Rabinato Chefe, são “sem religião”.

“Estes imigrantes fazem parte de um vazio burocrático, incapazes de casar em casamentos sancionados pelo Estado, e participar de outros direitos básicos de cidadania judaica”, segundo o Itim, um grupo de apoio a israelenses nesta situação jurídica. O Itim considera a situação “inaceitável, particularmente devido ao sistema disfuncional e inadequado de conversão do Estado, que converte cerca de 2 mil cidadãos israelenses ao judaísmo a cada ano”.

Nos últimos anos, a imigração da antiga União Soviética voltou a aumentar. Os russos estão fugindo da estagnação econômica do país. Muitos ucranianos fugiram do conflito militar apoiado pela Rússia convulsionando o leste de seu país. De acordo com o Ministério de Absorção de Imigrantes, mais de 30.000 pessoas emigraram da Ucrânia entre 2014 e outubro de 2018. É como se toda a comunidade judaica do Rio de Janeiro — ou metade da de São Paulo – fizesse aliá num período de apenas quatro anos. Incrível.

Num país onde os argumentos demográficos carregam peso político forte, inclusive para o processo de paz, números precisos são críticos, de acordo com o demógrafo e estatístico Sergio Della Pergolla, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

“Considerando que os judeus compõem 75% do total da população israelense, o crescimento dos imigrantes não-judeus foi mais rápido e, portanto, o judaísmo de Israel diminuiu, apesar das declarações triunfantes de certos círculos políticos de que a taxa de fertilidade árabe diminuiu”, explica o professor.

 

Fonte: Notícias da Rua Judaica

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