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Nurit Masijah Gil

Sou paulista e moro em Porto Alegre há tempo suficiente para não lembrar da vida antes do ‘bah’. Publicitária, pós graduada em marketing, mãe de duas crianças incríveis (desculpem, foi irresistível), empresária e com desejos literários, meu objetivo nesta coluna é sensibilizar nossa sociedade com informação para desconstruir esterótipos e diminuir preconceitos. Parece utopia, mas prefiro acreditar não passa de um bom desafio.

A judia riquinha. Ou a menina que amava confetes

12.01.2016

O sotaque era inconfundível “Me passa a feijón”. Nascido na antiga Iuguslavia, de onde fugiu com a família perseguido na Segunda Guerra, viu a morte, passou fome, cruzou a pé fronteiras entre países e numa idade em que deveria conhecer o amor e a liberdade, conheceu o inferno. Aportou no Brasil e, alguns anos de trabalho árduo mais tarde, reencontrou na sinagoga um amigo da terra natal. Juntos, numa história emocionante de empreendedorismo, trabalho muito duro e visão, criaram uma das maiores fábricas de lingerie do Brasil.

A casa que meu avô construiu era linda e cheia de arte, mas meus olhos brilhavam pelo furador de papéis que ele deixava em cima da mesa do escritório. Adorava aquela engenhoca que armazenava bolinhas e assim, me fazia aguardar ansiosa pelo Carnaval, quando nós dois íamos para a frente da casa e jogávamos confetes, feitos das tais bolinhas que ele guardava todos os dias para mim. O sorriso fácil que fazia levantar seu bigode grisalho vinha das coisas simples que a vida havia lhe privado.

Já o tínhamos perdido quando, aos dez anos, saí do colégio judaico em que estudava para, por questões diversas, frequentar um laico. No primeiro dia de aula, ainda tímida, fiz minha primeira amiga.
– Em que língua é seu nome?
– Hebraico.
– Por que?
– Porque sou judia.
– Nossa! Mas se você quiser, pode mudar de religião, sabia?
Passei a ser conhecida então como “a judia”. Era “a judia riquinha” como se o dinheiro da minha família fosse fruto de condição religiosa ou de vergonha qualquer. Era “a judia pão dura” se não dividia o lanche, “a judia CDF” quando tirava boas notas. O tom pejorativo, acreditavam, não vinha acompanhado de maldade. Aos dez anos, uma criança que denomina outra assim, provavelmente escuta em casa.

Sou judia em cada milímetro da minha alma, assim como a mulher que quando criança, adorava jogar confetes. Trabalho. Tenho dois filhos e os educo para que tenham perseverança, bondade e que valorizem o que é simples. Em casa, pagamos todos os impostos e contas em dia. Voto, como cidadã deste país que acolheu meus avós apátridas – sobreviventes da dizimação em massa de nosso povo -, mas ressalto: os direitos, eles garantiram com suor, não benevolência.

Então, quando em pleno 2016, um dos maiores jornais em circulação do país publica, através da expressão de um de seus aclamados colunistas, que “O convívio cordial que é dado aqui à comunidade judaica não faria prever os insultos e provocações que Israel vem dirigindo ao Brasil (…) Os ânimos no Brasil não estão para riscos desse tipo”, coloco meus pés bem firmes no chão.

Riscos.

Quer dizer que, segundo ele, minhas colegas de infância estavam certas? Apesar de toda história da minha família no Brasil, de tudo o que somos, não passamos de “judeus”? Quer dizer que se não mantivermos a cabeça baixa, teremos “riscos”?

A era virtual deu a cada um de nós o poder de contar em progressão geométrica. Contam-se verdades. Contam-se meias-verdades. Contam-se mentiras. Aos montes. Opinar sem compreender além de ignorância, é irresponsabilidade. Sou contra dar voz a idiotas, a não ser quando uma destas vozes foi divulgada em um jornal com tiragem diária na casa dos milhares. Enquanto crescem curtidas, nós ganhamos preconceito. E por ele, meu avô conheceu o inferno quando deveria conhecer o amor.

60 Comentários a A judia riquinha. Ou a menina que amava confetes

  1. Duarte de Esteio's Gravatar Duarte de Esteio
    12 de janeiro de 2016 at 19:26 | Permalink

    Texto Excelente! Parabéns! O Blog “Esteio: o clíck indiscreto do dia-a-dia” não discrimina pessoa, origem, raça, crença, cor, estado civil, situação familiar, posição social, idade, sexo, ideologia política, filosofia religiosa ou orientação sexual… Tem opinião livre, valorizando sempre a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Contato: duartedesteio@gmail.com

    • Reinaldo Ramos (jornalista - Reuven Marrano)'s Gravatar Reinaldo Ramos (jornalista - Reuven Marrano)
      13 de janeiro de 2016 at 09:11 | Permalink

      Transcrito de minha postagem no Face, na manhã de ontem, 12/01/2015 https://www.facebook.com/reinaldo.ramos.963 :

      Respeitosamente, uma singela lembrança ao sr. Jânio de Freitas que, aos 83 anos, pode ter esquecido:
      – Antissemitismo é crime, conforme sentença prolatada pelo Plenário do Supremo Tribunal (STF), com base no artigo 5º, inciso XLII, da Constituição Brasileira” (…) e é “prática do racismo”, além de constituir “crime inafiançável e imprescritível”.
      E uma humilde recomendação:
      Aprender uma segunda língua – Português, por exemplo.

  2. Diana Charatz Zimbarg's Gravatar Diana Charatz Zimbarg
    12 de janeiro de 2016 at 21:51 | Permalink

    Parabéns pelo texto! Disse tudo o que eu penso.

  3. Mauricio Gomes dos Santos's Gravatar Mauricio Gomes dos Santos
    12 de janeiro de 2016 at 23:32 | Permalink

    Parabéns pelo texto! Como eu gostaria de ver o brasileiro se indignar mais e ser mais vigoroso! Conquistar o seu valor com trabalho, suor e dedicação! Belo exemplo! Obrigado por compartilhar conosco!

  4. Mina Kramarski's Gravatar Mina Kramarski
    12 de janeiro de 2016 at 23:33 | Permalink

    Parabéns pelo excelente texto. Reflete muito o que “quase todas” sentimos enquanto crescemos.
    Obrigada.
    Foi uma deliciosa leitura.

  5. Claudio Valansi's Gravatar Claudio Valansi
    13 de janeiro de 2016 at 00:36 | Permalink

    Lindo texto..
    Foi muito bom le-lo nesses dias estranhos

  6. 13 de janeiro de 2016 at 01:13 | Permalink

    Muito bom seu texto. Contraponto delicado e honesto ao texto grosseiro e safado desse colunista desprezível do jornal F.

  7. Marcia Barbu's Gravatar Marcia Barbu
    13 de janeiro de 2016 at 01:36 | Permalink

    Excelente texto…..:
    Me vi mas como filha e na escola era tambem a “judia” Amei me identifiquei e parabens

  8. Renata Sanger's Gravatar Renata Sanger
    13 de janeiro de 2016 at 01:56 | Permalink

    Parabéns pelo excelente texto! Junto me a você na luta de não dar voz ao idiotas preconceitusos e rotuladores. Temos que nos fazer ouvir nesse pais que acha que já cresceu e apareceu. Pobre gente…

  9. Cláudia's Gravatar Cláudia
    13 de janeiro de 2016 at 02:07 | Permalink

    Vi você crescer estudando com minha filha e é um enorme prazer encontrar uma mulher plena , inteligente e de extrema lucidez quanto a sua história. Parabéns pelo seu texto.

  10. Marcelo Brick's Gravatar Marcelo Brick
    13 de janeiro de 2016 at 02:24 | Permalink

    Excelente texto desabafo. Figuras como esse dublê de jornalista moral e intelectualmente desonesto, quer dizer, um reles antissemita de carteirinha, como diz minha mãe.

  11. 13 de janeiro de 2016 at 08:58 | Permalink

    Lindo texto, falou por toda uma geração de judeus brasileiros. Lembrando Pilar Rahola que se refere a nós como os canários do mundo, é assustador ver que o mundo ainda não aprendeu a aceitar o outro. Parabéns e grata!

  12. Nelson graubart's Gravatar Nelson graubart
    13 de janeiro de 2016 at 09:58 | Permalink

    Sua história se repete em cada um de nos.

  13. Mercedes Lajner's Gravatar Mercedes Lajner
    13 de janeiro de 2016 at 11:07 | Permalink

    Parabéns, Nurit! Vc conseguiu expressar nossos sentimentos com muita lucidez, o que parece faltar a esse incompetente senhor.

  14. Beatriz Behar's Gravatar Beatriz Behar
    13 de janeiro de 2016 at 12:11 | Permalink

    Nurit,
    Adoro seus textos!
    Obrigada por traduzir nossa história e sentimentos.
    Beijos

  15. Daniel Reznik's Gravatar Daniel Reznik
    13 de janeiro de 2016 at 12:33 | Permalink

    Parabéns pelo texto. É bem por aí…. acho que todos já passamos por algo semelhante. Infelizmente.

  16. 13 de janeiro de 2016 at 14:02 | Permalink

    Texto lindo, envolvente, super bem escrito! E, infelizmente, extremamente real. Me senti parte da história e assim como você, também sofri com as “piadas” de alguns “amigos” da escola laica onde estudei. Parabéns!

  17. Melissa Bromfman Haber's Gravatar Melissa Bromfman Haber
    13 de janeiro de 2016 at 15:16 | Permalink

    Muito bom o texto, e me deu arrepios. Hoje vivo nos Estados Unidos, mas como vc, cresci no Brasil estudando em escola laica ouvindo exatamente os mesmos comentarios. E mais: colegas me perguntavam se nao sentia culpa por ter matado Jesus.

  18. Siomara paciornik schulman's Gravatar Siomara paciornik schulman
    13 de janeiro de 2016 at 15:42 | Permalink

    Texto excelente, traduz nossa triste realidade; muitos não nos consideram brasileiros “de verdade”, apesar das contribuições inestimáveis destas 3 gerações de judeus. O que não deveria nos surprender tanto, os totalmente assimilados alemães são uma tealidade bem recente..

  19. 13 de janeiro de 2016 at 17:07 | Permalink

    Parabéns por ter conseguido manter a elegância diante da infâmia.
    Dizer que estamos vivendo um momento impar no Brasil seria muito ingênuo, estamos na verdade vivenciando um momento de exposição do que foi jogado há quinhentos anos pra debaixo do tapete, em todas as esferas sociais e segmentos empresariais. O Brasil é um paciente acidentado, em estado graves com nervos e ossos expostos.

  20. Flavio Kormoczi's Gravatar Flavio Kormoczi
    13 de janeiro de 2016 at 19:06 | Permalink

    Nurit, sempre a lembrar que nem todos pensam assim, infelizmente temos um governo federal com ideologia retrógrada, ultrapassada que recusa a receber um diplomata indicado por uma nação amiga e um bando de jornalistas que colocaram um óculos de lente azul e cor de rosa e que acham que tudo vale qdo feito pelos socialistas. Hoje mesmo expliquei para algumas pessoas a origem do termo judiar, termo esse que eu não uso e ensino a não usar. Dito uma vez pode até passar por brincadeira, judeuzinho narigudo, dito sempre é preconceito sim.

  21. Ely Weinstein's Gravatar Ely Weinstein
    13 de janeiro de 2016 at 19:22 | Permalink

    Cara Nurit
    Estudei com teu pai na mesma classe na faculdade.Como estudavamos juntos para as provas, tive o prazer de conhecer teus avós, mae e tios.Te conheci quando voce era um bebê. Parabens pelo excelente texto, nao apenas pela importancia do assunto mas tambem pela forma clara e objetiva de expor as ideias

  22. 13 de janeiro de 2016 at 19:43 | Permalink

    Lavou minha alma. Sincera, espontânea, falou com o coração. Impossível não se emocionar . lendo seu texto acho que as pessoas que acharam que a “Brasil”estava certo, vão com certeza, mudar de opinião. OBRIGADA!!!

  23. Jason Malak's Gravatar Jason Malak
    13 de janeiro de 2016 at 20:39 | Permalink

    Excelente texto! As pessoas omitem opinião muitas vezes sem conhecimento suficiente para isso, mas um veículo de comunicação jamais poderia cair neste erro. Parabéns! Abcs

  24. 13 de janeiro de 2016 at 20:46 | Permalink

    Parabéns pelo belo texto, no conteúdo e na forma.
    Além dos “riscos”, outro trecho me chamou a atenção: quando o articulista fala em “O convívio cordial que é DADO [o grifo é meu] aqui à comunidade judaica…”.
    Esta frase embute um sentimento de exclusão, como se fôssemos estrangeiros. Faz parecer que o convívio cordial é uma concessão que nos é feita. Será que devemos agradecer de joelhos? (sequer poderíamos; a submissão a qualquer um..e até mesmo a D´us nos é proibida pelas leis religiosas).
    Somos brasileiros, respeitamos as leis do país, trabalhamos, contribuímos pelo crescimento do país, pagamos impostos etc e tal. Sermos tratados com cordialidade não é um favor, é um DIREITO que temos, assim como qualquer brasileiro !
    Abraço

  25. Martha Ribeiro's Gravatar Martha Ribeiro
    14 de janeiro de 2016 at 01:07 | Permalink

    Adorei seu texto!
    Não nasci judia, mas AMO (em letras maiúsculas mesmo!) judeus! Digo que sou uma goy judia! Hahaahahaha! Estudo os costumes, admiro a união e a força do povo! Engraçado que sou tão apaixonada por judeus que alguns amigos sempre pensaram que eu era judia, e se espantavam quando descobriam que não!
    Meu amor está tatuado em minha pele: uma estrela de Davi e logo abaixo, amor em hebraico!
    Parabéns por tudo que escreveu! Ser judeu é ter orgulho!

  26. beatriz cohen's Gravatar beatriz cohen
    14 de janeiro de 2016 at 03:32 | Permalink

    Nurit querida que orgulho ler o seu texto .Fui sua morá ( professora) no pré.Vc tinha 2 ou 3 anos .E ve la agora aqui neste blog é surpreendente .Sua mãe (eliana ) deve estar mega honrada pela sua destreza e competência .Nu vc era uma fofa de pequena e me emociono de reencontra-la através deste texto .Mil felicidades p ti e sua familia .( te dei aulas na idade dos seus filhos ).bj querida .

  27. Maria amelia's Gravatar Maria amelia
    14 de janeiro de 2016 at 03:37 | Permalink

    Entendo que bullings e incomodacao nas escolas e para todos.
    Meu irmão sofreu numa escola porque nasceu no norte .
    os poucos negros que tiveram acesso sofreram pela cor.
    Agora entendi que o questionamento atual e onde o judeu está no Brasil ou fora dele.
    Complexa a situação para quem não conhece o que é ser judeu .
    Penso que é isso.

  28. 14 de janeiro de 2016 at 07:06 | Permalink

    Kol Hakavod, Nurit! Excelente texto. Para mim uma doce descoberta. Parabéns.
    Se sobrar um tempinho dê uma chegadinha no nosso site: www,amazoniajudaica.org

  29. Vanessa's Gravatar Vanessa
    14 de janeiro de 2016 at 12:40 | Permalink

    Por exemplo: Oprah, a mulher mais rica dos EUA, foi discriminada quando em visita pela Europa; Obama já foi confundido com manobrista; craques de futebol são xingados em estádios do mundo inteiro; Martin Luther King se reunia com os mais humildes e o presidente do seu país e, ainda assim, foi assassinado simplesmente por se manifestar contra a discriminação que sofria por ser negro num país inegavelmente racista. Enfim, são vários os casos de celebridades e profissionais bem sucedidos que, apesar de terem subido na vida com o seu trabalho, foram obrigados a ouvir gracinhas e foram destratados unicamente pela cor de suas peles. Tanto faz a área de atividade, até o nosso ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, já se pronunciou sobre as agruras pelas quais passou ao ocupar uma “posição de alta responsabilidade e visibilidade”. Esse tipo de rejeição ocorre porque todos esses cargos eram são tradicionalmente ocupados por pessoas brancas, então, quando um negro chega lá, seus colegas e as pessoas ao redor não conseguem lidar com o desconforto de obedecer a alguém parecido com quem eles estão habituados a ver limpando seus sanitários. Então, vamos parar de achar que meritocracia resolverá o próprio problema que há tanto fomenta… Se tão somente o suor da labuta garantisse respeito a alguém, médicos que apenas batem o ponto e vão embora estariam abaixo dos garis na escala social e remunerativa.

  30. Joe Diesendruck's Gravatar Joe Diesendruck
    15 de janeiro de 2016 at 16:46 | Permalink

    Parabéns Nurit, excelente artigo, coloca um antisemita gagá no seu devido lugar !

  31. Sergio Buratto's Gravatar Sergio Buratto
    25 de janeiro de 2016 at 15:30 | Permalink

    Confira o ‘recado’ do Ronaldo Gomlevsky: http://www.pletz.com/blog/carta-aberta-ao-meu-colega-janio-de-freitas/

  32. Ronald Moris Masijah's Gravatar Ronald Moris Masijah
    18 de agosto de 2016 at 18:05 | Permalink

    Parabéns Nurit.
    Que texto, colocado com uma sensibilidade tal, que pude ver o rosto seu e do vovô claramente na minha frente.
    Sinceramente?…….. não conseguí segurar as lágrimas.

  33. Davis castro's Gravatar Davis castro
    19 de agosto de 2016 at 11:35 | Permalink

    Querida, seu texto é extremamente contundente. E delicioso de se ler. É realmente uma pena que haja resquícios, neste século XXI, de sentimentos tão amargos como este, editado num jornal de circulação gigante, e que ainda demonstram antissemitismo. Num Brasil de diversidade gigante como o nosso. Beijos

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