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Leniza Kautz Menda

A Banda, um filme israelense com caráter universal

13.11.2015

O filme “A Banda”, do diretor Eran Kolirin, inicia quando uma pequena banda da polícia egípcia chega a Israel para tocar na cerimônia de inauguração de um centro cultural árabe. Os músicos são esquecidos no aeroporto devido a problemas burocráticos e a uma série de imprevistos. A banda tenta se deslocar por conta própria; por dificuldades da língua, porém, vai parar numa pequena cidade israelense, próxima ao deserto.

A simplicidade do enredo do filme descortina a enorme complexidade do relacionamento entre dois povos que habitam o Oriente Médio. À medida que os membros árabes da banda se aproximam dos israelenses começa a haver certa identificação entre os mesmos, uma vez que ambos apresentam problemas em comum: a sensação de solidão, o abandono amoroso e a busca de relacionamentos mais duradouros.

Há uma aproximação entre os árabes egípcios e os israelenses, sobretudo através da música e das palavras líricas de suas letras. O som do idioma árabe, mesmo sem a compreensão racional do mesmo, encanta a jovem israelense com quem o líder da banda egípcia mantém amizade.

Amós Oz, escritor israelense e pacifista por convicção, acredita que o poder da imaginação é fundamental na busca do entendimento mútuo, pois, através dela, podemos nos imaginar no lugar do outro; adquirimos, portanto, a empatia pelo diferente e nos tornamos seres humanos melhores, capazes de entender os conflitos existenciais do ser humano.

“A Banda” é um filme israelense visto que a trama transcorre em Israel, seus personagens são sabras – duros por fora, mas doces por dentro. Embora tenha um caráter particular, ele exibe uma dimensão universal, uma vez que as hostilidades e divergências entre povos inimigos em qualquer parte do mundo, bem como as barreiras do idioma podem ser ultrapassadas pela música, pela sensibilidade e pela compreensão das diferenças.

O filme corrobora o poder mágico da arte no sentido de nos sensibilizar, compreendermos o próximo e nos tornarmos mais humanos.

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