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“Faça paz, não faça amor” disse o escritor israelense Amós Oz no Fronteiras

30.06.2017

Por Barbara Lima – Jornal do Comércio – 28/06/2-17

O escritor israelense Amós Oz, autor do famoso livro De amor e trevas, foi o terceiro conferencista da edição do Fronteiras do Pensamento de 2017, que ocorreu no Salão de Atos da Ufrgs, em Porto Alegre, na noite desta quarta-feira (28). Amós contagiou a plateia ao defender o bom-humor e a empatia como armas contra o extremismo no conflito territorial entre Israel e Palestina. O escritor defendeu o lema “faça paz, não faça amor” para que os dois povos possam coexistir de maneira tranquila e sem a utopia de um amor universal.

Durante sua fala, o escritor deixou claro que suas posições políticas são completamente diferentes das de suas personagens na literatura. Segundo ele, não existe “salvação”, mas “soluções pragmáticas” para o longo conflito entre judeus e árabes: Israel e Palestina deveriam ser Estados vizinhos e independentes. Isso não significa, para Amós, que, depois de cem anos de brigas, as nações vão viver em harmonia. “Israel e Palestina não precisam se amar! O amor é raro, você ama no máximo cinco pessoas, o resto é uma vontade positiva. Depois de tanto sangue derramado, isso de amor universal não funciona. Eu quero apenas que a violência acabe. É preciso dividir uma casa em dois apartamentos independentes, daqui um tempo, os vizinhos vão se dar bom dia, quem sabe tomar um café”, explicou.

O israelense ressaltou ainda que seu maior medo é de respostas simples para problemas complexos. “Respostas simples são uma sedução do diabo, os fanáticos sempre dão respostas simples para grandes problemas”, disse. O melhor, para Amós, é o meio termo, já que não há bonzinho e vilão nessa disputa. “Israel é o único lugar do mundo para judeus e palestinos como nação. É um conflito de quem está certo com quem está certo”, refletiu. Surpreendendo a plateia, Amós deu uma boa notícia: israelenses e palestinos, excetuando os fanáticos, estão fadigados e não querem mais brigar. “Há muita fadiga, acredito na fadiga para resolver nossas disputas”, afirmou.

Por fim, falou de literatura. Ele contou que não gosta de falar no papel da literatura, mas no dom que ela possui. “Se um livro for bem escrito, o leitor pode entrar na mente de indivíduos de outras gerações, países, culturas etc. Essa é a benção da literatura. É isso que eu tento fazer, se eu fosse palestino, como eu pensaria?”, concluiu. Isso não significa amor universal, já que, para ele, o amor é raro, mas a empatia permite a paz. “O amor é um mineral raro, o ódio permeia o mundo, por isso temos que nos pôr no lugar do outro”. “Acredito na recuperação passo a passo, e daqui alguns anos vamos pensar que demoramos muito para encontrar soluções para esse problema”, finalizou.

 

Fonte: Jornal do Comércio

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