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Visita de Deputado Jean Wyllys a Israel gera polêmica nas redes sociais

08.01.2016

O Deputado Federal Jean Wyllys está em Israel a convite da Universidade Hebraica de Jerusalém onde palestrou no Instituto Harry S. Trruman sobre homofobia, antissemitismo e outras formas de preconceito e suas relações na política contemporânea.  Além da palestra para o público acadêmico, o parlamentar brasileiro cumprirá uma intensa agenda que inclui visitas ao Museu do Holocausto – Yad Vashem, a Tel Aviv e cidades da Cisjordânia como Belém e Hevron, além de encontros com grupos de ativistas tanto israelenses como palestinos.

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Deputado do PSOL, partido de esquerda que dentro de sua agenda mantém uma política de duras críticas contra Israel e, principalmente, contra o governo do Likud, Wyllys despertou fortes reações de diversos setores políticos e de cidadãos brasileiros.

A comunidade judaica ficou dividida. Após as declarações de Jean, falando sobre a liberdade de expressão e a democracia israelense, mostrando clareza sobre a diversidade de idéias contidas no movimento sionista, desmistificando-o e colocando-se de forma incisiva contra o movimento BDS que prega boicotes, desenvestimentos e sanções contra o Estado de Israel, o político conseguiu mudar sua imagem e, mesmo não sendo aprovado na totalidade de seu discurso, ganhou respeito entre setores mais progressistas judaicos que estão lhe dando muito apoio nas redes sociais, elogiando sua postura através de comentários em suas postagens. Estes consideram o amadurecimento de Wyllys e a sua coragem de ir contra a ‘cartilha’ e o maniqueísmo da esquerda brasileira em relação a Israel um movimento histórico que pode mudar o panorama na guerra assimétrica da diplomacia e da comunicação. Num cenário em que Israel é constante mente demonizado e atacado pela esquerda de nosso país, as declarações do jovem deputado surgem como um flash de esperança de que a o conflito árabe-israelense possa ser discutido com mais equilíbrio e imparcialidade. Muitos judeus brasileiros, principalmente os jovens, encontraram no discurso de Jean uma representação de seus anseios e preocupacões. Você pode conferir o primeiro e o segundo relato da viagem publicados em sua página no Facebook.

“Eles acreditam, como eu, que a paz não pode ser construída sem o reconhecimento mútuo da existência e dos direitos do outro: tanto Israel quanto Palestina têm direito a existir, tanto judeus quanto palestinos têm direito à sua terra. Dois povos, dois estados, em paz. Claro que a partilha não é fácil, como não é fácil acabar com uma guerra continuada durante décadas, mas a paz deve ser um imperativo, um objetivo vital a ser alcançado. A ultra-direita israelense, hoje no governo, e os grupos terroristas e fundamentalistas islâmicos conspiram contra a paz e o medo ajuda ambos os extremos a manter muito poder, mas ainda há muita gente sensata tentando construir pontes de diálogo. Há esperanças!”  (Trecho de uma das postagens de Wyllys no Facebook)

Por outro lado, parte da comunidade observa com desconfiança, não esquecendo algumas posturas adotadas pelo deputado e pelo seu partido contra Israel no passado, inclusive a queima pública da bandeira de Israel em manifestações, acreditando que na volta ele sucumbirá à pressão de seu eleitorado, voltando a atacar o Estado Judaico a fim de não perder votos, como você pode conferir no artigo Quanto tempo durará o sionismo de Jean Wyllys, de Victor Grinbaum, editor da Revista Menorah, do Rio de Janeiro.

“Jean Wyllys não pagará a viagem. Está claríssimo que para se recuperar na sua base, o deputado terá que radicalizar novamente o seu discurso, já que apenas acusar Netanyahu de “criminoso de guerra” não parece suficiente para o restante dos psolistas. Aliás, foi o que Caetano Veloso teve que fazer recentemente, depois de ser alvo de uma campanha internacional de boicote por haver cantado em um show em Tel Aviv. O baiano (aliás, Jean Wyllys também é filho da Boa Terra) teve que prometer que jamais voltaria a pisar em Israel novamente para se recuperar.” (Trecho do artigo de Victor Grinbaum)

O debate está aberto.

Já em seu ambiente “nativo”, a esquerda brasileira, o deputado está sendo massacrado. Proliferam acusações de traição, demostrações de indignação em comentários nas redes sociais que chegam ao desrespeito. O PSTU, partido que apoia a “causa palestina” o movimento BDS e acusa Israel de ser um estado terrorista, lançou uma nota oficial onde acusa Wyllys de estar sofrendo o que chamam de Pinkwasshing, um termo utilizado para descrever uma suposta estratégia israelense de “lavagem cerebral” direcionado ao público LGBT, onde Israel teóricamente se vangloria de não discriminar homossexuais em sua sociedade e usaria este argumento para conquistar o apoio deste setor da comunidade internacional.  Ativistas de esquerda, dos mais diversos, estão publicando textos em seus blogs condenando o parlamentar. O PSOL, seu partido ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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Charge publicada na página de ONG no Facebook

Uma coisa é certa, a visita de políticos e jornalistas brasileiros a Israel para conhecer in loco e se aprofundar na complexidade do tema do conflito é comum, mas a repercussão da viagem de Jean Wyllys está surpreendendo a todos, gerando debate e quebrando paradigmas. Vamos ficar atentos aos próximos capítulos desta ‘novela’.

 

 

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