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Fabio Lavinsky

Terra Por Paz: Esta Fórmula Ainda É Possível? (TEXTO ESPECIAL DE PESSACH)

22.04.2016

O trágico conflito Israelense-palestino teve um momento de grande esperança onde muitos acreditavam que o seu término era possível e iminente: os acordos de Oslo. Os acordos de Oslo foram baseados na aplicação do axioma: “terra-por-paz”. Esta formula tinha dado certo com o Egito em 1979, onde Israel se retirou totalmente da península do Sinai em troca de paz e de normalidade com seus vizinhos. Posteriormente, em 1996, o mesmo axioma fora aplicado com a Jordânia. Israel se retirara de algumas propriedades jordanianas que somado as perspectivas dos acordos de Oslo, proporcionou que estes dois países, que segundo relatos já mantinham canais secretos de contato, atassem relações.

Os acordos com o Egito e com a Jordânia descontroem totalmente o falso conceito,muito difundido na propaganda anti-israelense, de que Israel seria colonialista e expansionista por natureza. Que pais que busca uma hegemonia territorial entregaria territórios conquistados com tanta dor e com tanta luta em troca da aposta pela paz? Não encontro nem um exemplo de nação colonialista e expansionista que além de não avançar um centímetro, abdica de territórios estratégicos como o Sinai e de como se propôs posteriormente o Primeiro Ministro Barak a abdicar das colinas do Golan em 2000. O acordo com a Síria apenas não aconteceu porque o presidente Afez Assad (pai do atual presidente Bashar) não quis.

Porém, a aplicação do “axioma terra por paz” em relação ao conflito com os palestinos foi correta?

Eu consigo me lembrar perfeitamente das discussões dos anos 90, onde gente como eu que apoiava quase que messianicamente os acordos de Oslo discutia com gente que discordava com a mesma “religiosidade” da entrega de territórios para os palestinos. Nós dizíamos: “se não houver estado palestino, em 2020 estarão falando em apenas um estado para dois povos”. A réplica era: “se houver independência dos palestinos, eles possuirão foguetes que chegarão até mesmo ao aeroporto Ben Gurion”.

Tragicamente ambos estávamos corretos nas “profecias”. Muitos pós-sionistas (alguns que se consideram sionistas) e judeus liberais da diáspora já aceitam a possibilidade de um estado para dois povos o que seria o fim do Estado de Israel como lar nacional do povo judeu. Por outro lado, há outros que acreditam que a democracia em Israel é algo que pode se relativizar e até mesmo se abdicar em nome de uma “territoriolatria” que não aceita a entrega de territórios para os palestinos. E pior, almeja absorve-los em parte e criar cantões de autonomia para eles nas suas grandes cidades. Está opção é inaceitável e não menos letal ao Estado de Israel que o estado binacional. Israel perderia uma característica pétrea delineada em sua declaração de independência: a democracia.

Porém os foguetes chegaram ao Aeroporto Ben Gurion e ironicamente no primeiro alarme que soou no aeroporto eu estava desembarcando. Em Julho de 2014, assim que sai com as malas da alfandega, ainda dentro do aeroporto, soou o alarme e fomos para um canto “seguro”. A sensação foi péssima e me lembrei das “profecias” dos “opositores de Oslo” lá no início dos anos 90. Assim, hoje há uma terceira linha, que tenta mesclar a demanda política de se manter ao centro com um discurso “securitocrata” com a demanda urgente de se separar dos palestinos para poder continuar sendo um estado judeu e democrático. Esta é a linha defendida por exemplo pelo Boogie Herzog líder da oposição e por intelectuais como por Amoz Oz. Porém o primeiro reconheceu recentemente o fato rotundo de que temos que nos desvincular pois não há como realizar acordo em tempo próximo.

E por que não se consegue reavivar os acordos de Oslo? Qual é o grande nó cego do acordo? O fato que o conflito não é territorial. E infelizmente nunca foi. O conflito é o choque entre dois movimentos nacionais. E pior, devido ao fato do processo histórico europeu ter estado em uma etapa diferente do árabe no advento do sionismo, o conflito se tornou entre o sionismo, cujo escopo era bem definido: existir nacionalmente, e o movimento nacional árabe na palestina, criado de forma errática e reativa, que basicamente tinha como escopo fazer o sionismo desaparecer. Ambos os ethos permanecem válidos ainda hoje.

Portanto o axioma “terra por paz” serviu ao ethos sionista. Sim, toda a concessão territorial de Israel visa primordialmente lhe dar mais segurança e lhe garantir fronteiras calmas, pacificadas e reconhecidas internacionalmente. Esta foi a premissa da aceitação por Israel da resolução 181 da ONU de partilha do mandato da Britânico em 1947. O acordo de Oslo visava obter esta situação com os palestinos: fronteiras internacionalmente aceitas concedendo áreas da Terra de Israel de apego histórico imensurável visando a perenidade do Estado de Israel. Porém esta situação preencheria o ethos palestino, ou palestinista? A resposta é não. Da mesma maneira que o acordo teoricamente aproximaria o sionismo de sua utopia (existência perene do Estado de Israel em parte da Terra de Israel), ele afastava os palestinos da sua. A utopia do movimento nacional árabe na palestina não era um estado, e sim era fazer com que o sionismo não se concretizasse em um estado. O estado palestino seria um meio (de impedir o estado judeu no coração do Oriente Médio) muito acima de ser um fim. A própria existência de um ente nacional palestino caso Israel não existisse não era consenso no mundo árabe. Vários líderes árabes já planejavam depois de “jogar os judeus no mar” em 1948, dividir a terra entre Egito, Jordânia e Síria. A Síria até hoje considera a Galiléia e até mesmo Haifa e Acre como parte da “grande Síria”. O líder palestino dos anos 40, o Mufti de Jerusalém El Husseini (aquele “famoso” que articulou a “Solução Final” dos judeus de Israel com Hitler) no início de seu ativismo anti-judeu, chamava o território posteriormente denominado de Palestina de “Síria do Sul” em um periódico que ele editava nos anos 20. O termo “Palestina” era muitas vezes considerado “sionista” e judaico em demasia.

À luz do descrito acima os acordos de Oslo não fariam sentido algum. Porém eles ocorreram um uma janela de oportunidade única na geopolítica. Com o fim da guerra fria, a política externa americana pós-queda do muro de Berlim preconizava (e preconiza até hoje) a solução de dois estados e o axioma terra por paz para resolver todos os conflitos entre Israel e seus vizinhos árabes. O “case” de sucesso de Carter+Sadat+Begin tentou ser repetido com Clinton+Arafat+Rabin/Peres. Associado ao momento geopolítico e a agenda americana, em Israel a saturação e as críticas à hegemonia do Likud que iniciara em 1977 e que eclodiram na guerra do Líbano e na primeira intifada fizeram com que surgisse um consenso da necessidade urgente de “paz agora”. Os movimentos pela paz contagiaram o ideário da esquerda israelense de tal forma que a “paz” se tornou um ente quase que transcendental e de caráter religioso. Porém como foi aplicado a formula “terra por paz”, houve uma distorção no entendimento e na introjeção de que o processo visava primordialmente fronteiras aceitas, perenes e indiscutíveis, este era o fim. A paz seria uma consequência do cumprimento deste objetivo. No entanto, colocando-se a paz como fim primordial do acordo surtiu na consequência da fragilização do processo. Os atentados do Hamas propositalmente ou não, tiveram como efeito o questionamento: “que paz é essa”? “Que acordo é este”?, “Estamos entregando tudo em troca “desta paz”? . Ou seja, o subproduto principal do acordo foi mal-entendido, este subproduto era o fim das disputas territoriais com o fim da semântica de ocupação que vemos hoje ter tomado outra proporção e incluir tudo do rio ao mediterrâneo. Porém a desconstrução demagógica da “paz” foi ardilosamente empregada pela direita em uma campanha atroz de incitação sem precedentes que culminou com o assassinato do Premier Yitzhak Rabin em 4/11/1995 e posteriormente com a vitória de Biniamin Natanyahu em 1996, que selaram o início do fim da única janela de oportunidade do fim do conflito utilizando-se a fórmula terra-por-paz.

E do lado palestino, qual foi a lógica de abdicar de sua utopia de erradicar Israel e transforma-la toda em Palestina? Este sim ao meu ver, é um grande mal-entendido do acordo. O acordo foi na verdade foi entre a OLP e Israel, não entre os palestinos e Israel. A OLP ganhou muito com o acordo. Todos os seus líderes puderam retornar e gozar de uma anistia tácita. De alvos dos serviços de segurança se tornaram políticos que apareciam nos programas de televisão de Israel. O aporte financeiro, logístico e militar (armas e treinamento) para as forças do Fatah foram imensos. Sem dúvida nenhuma, a grande vencedora dos acordos é a OLP. Até hoje a vida dos políticos da OLP é nababesca. Arafat mantinha um patrimônio milionário espalhado pelo mundo.

Será que a OLP estava sendo sincera ao abandonar os três “Nãos” de Cartum e o plano das fases (primeiro “dois estados” para depois conquistar Israel) e aceitar o estado judeu? Será que ela pretendia fazer 1 estado palestino ao lado de um estado binacional como concluiu Ehud Barak na véspera da segunda intifada? Será que a irredutibilidade em relação à questão dos refugiados (voltarem para dentro de Israel), a questão de Jerusalém e a negativa a todas as propostas oferecidas de status final são mera casualidade ou estratégia de ganhar tempo para que se chegue a uma saturação e uma imposição de uma solução de estado binacional?

Os desdobramentos que vieram com a ruina do processo de Oslo são trágicos: segunda intifada orquestrada por Arafat e pelos líderes da OLP que patrocinaram o Tanzin e o El Aksa Brigades, grupos terroristas que cometiam atentados com o mesmo modus operandi do Hamas e do ISIS e que eram subordinados diretamente a Arafat e a Marwan Bargutti (que encontra-se preso em Israel até hoje). A segunda intifada gerou mais de 1000 vítimas civis israelenses e aterrorizou a população por dois anos, terminando com a vitória de Israel na Operação Muralha Defensiva de 2002 a qual destruiu a infraestrutura do Fatah. Os acontecimentos que ocorreram com a ruína do “processo de paz”: a subsequente construção do muro de separação que evitou milhares de atentados; a saída unilateral de Gaza com a retirada de mais de 7000 colonos a força; a vitória nas urnas do Hamas em Gaza e a expulsão da OLP de lá; as guerras de Gaza de 2009, 2012 e 2014 e a última “intifada das facas” que nada mais é que uma reprodução do lado jihadista e suprematista (semelhante a ideologia do ISIS) do nacionalismo palestino. Ha mídia oficial palestina usa uma semântica de incitação sem precedentes como o “tirar os pés imundos dos judeus dos locais sagrados”, que disse o presidente Mahmud Abbas. A motivação ideológica dos esfaqueadores muito se assemelha a daqueles que promovem limpeza étnica de cristãos da Síria e do Iraque.

Hoje já se passaram vinte e dois anos dos acordos de Olso e a solução de dois estados para o conflito está cada vez mais desgastada. No cenário palestino vemos uma degradação da motivação de dividir a terra e tudo do Jordão ao Mediterrâneo é rotulado de ocupação. Uma das grandes tragédias dos palestinos são o rol de apoiadores da sua causa ao longo da história. Já foi citado o apoio de Hitler e a espera por Romell para implementar a solução final contra os judeus do mandato britânico. Posteriormente, os líderes dos países árabes prometeram libertar a palestina em 1948 resultando na derrota e na Nakba (tragédia de refugiados palestina). Nasser, Sadam Hussein, Kadafi , os Iranianos, o Hezbollah, etc, a cada geração os principais antissemitas “de plantão” infelizmente abraçam e pervertem a causa palestina. Hoje o mainstream da extrema-esquerda e partes da esquerda antiamericana e anticapitalista apoia a causa palestina contra Israel. Tendo em vista o descaso e o “double standard” demonstrado por eles em episódios como o do campo de Yarmuk em Damasco onde milhares de palestinos morreram e foram expulsos da Síria, bem como com o tratamento de cidadãos de segunda classe que os palestinos gozam em vários países árabes, a conclusão é de que estes grupos de esquerda são primordialmente anti-israelenses, os palestinos são uma mera válvula de escape para o ódio antissemita incorrigível muitas vezes mimetizado na selva das agendas politicamente corretas. E nesta fusão entre o mainstream palestino que se descolou da OLP com a esquerda anticapitalista e anti-israelense, nasce o BDS.

O BDS é um movimento de boicote contra Israel cujo objetivo final é criar uma imagem de “africânder” para o Estado de Israel e deslegitimar a sua simples existência e punir todos as suas empresas e todos os seus cidadãos independente da sua posição política. O BDS é claramente um crime de ódio e um rasgo sectário dos mais traiçoeiros já enfrentados pelo povo judeu em sua história. Como já mencionei, ele se mimetiza na selva do politicamente correto e acaba cooptando muitos ignorantes úteis em meio a racistas incorrigíveis. Posteriormente a criação desta imagem de África do Sul, o próximo passo seria o retorno dos refugiados e a realização de seu cântico utópico que não se esforça em esconder sua verdadeira intenção: “free, free, Palestine, from the river to the sea, palestine will be free” (palestina livre do rio Jordão ao mediterrâneo), ou seja, o BDS abertamente, além de boicotar todos os membros de um pais, o que já consiste em crime de ódio, prega a destruição de uma democracia aceita na ONU. O BDS não difere muito dos discursos dos Aiatolás que prometem destruir Israel. Porém o BDS, um movimento vil e repleto de libelo, tenta se inserir no rol das agendas das causas justas globais.

A adoção da narrativa de um estado palestino substituindo Israel foi o que defendeu Edward Said no final de sua vida. É o que defende a vários palestinos proeminentes mundo a fora. Não é a posição oficial da OLP pois o status quo indefinido adicionado da doutrina da “paz econômica” do Bibi beneficia a ela em todos os âmbitos. Porém esta narrativa de um estado único é o que de mais forte rufa na rua palestina e nas redes sociais, inclusive com pesquisas de opinião recentes comprovando.

“A ocupação” que virou um mantra até mesmo entre israelenses não se refere mais apenas a Yehuda e Shomron (Cisjordania), ela se refere ao “from the river to the see” já citado acima. A disputa de narrativas e o negacionismo do direito de autodeterminação do outro retrocederam o conflito para um patamar semelhante ao dos anos 40 onde após a revolta árabe de 1937 o imperialismo Inglês cedeu à pressão palestina e fechou as fronteiras de Israel durante a segunda guerra mundial condenando milhões a morte por não poderem imigrar livremente (conhecido como “os livros brancos”). A volta do choque entre dois movimentos nacionais é evidente, lamentável e mutuamente destrutiva.

Israel também vive um momento onde a solução de dois estados encontra-se dificultada ao extremo. O foco errado do acordo de Oslo onde se vendeu para o povo que seria um acordo de “paz” e não de perenidade nacional resultou com que a percepção de fracasso seja profunda e quase irrecuperável. A despeito de concessões e da volta da OLP para os territórios, o terror imperou na maior parte dos anos pós Oslo em proporções maiores que nos anos precedentes. O ceticismo com todas as tentativas frustradas, as exigências impossíveis e as negativas inacreditáveis de status final como a do Arafat em 2000 e a do Abu Mazen em 2006 geraram o mantra: “não temos partner” para a paz. A mesma OLP que foi trazida graças a Oslo usou as armas americanas para combater o terror, para fazer o terror. O medo da concessão e da divisão da terra faz com que haja uma repercussão política em que a direita se perpetua explorando esta situação e gerando um ciclo vicioso onde um status final com os palestinos fica cada vez mais longe e a medida que isso ocorre e os surtos de violência e de retorica de ódio se acentuam, a direita se reforça ainda mais. Neste interim, os assentamentos em Yehuda e Shmoron cresceram exponencialmente, hoje são mais de 350 mil colonos, fora Jerusalém oriental. É irreal achar viável a evacuação dos grandes blocos de assentamentos.

A despeito do desgaste e da desconfiança entre os dois principais envolvidos na questão, outros grandes atores se interessariam muito em uma normalização com resultado em dois estados que selassem o fim do conflito e da disputa entre Israel e Palestinos. O primeiro obviamente é o bloco ocidental liderado pelos EUA. Hillary Clinton e provavelmente Trump tentarão criar maneiras de manter viva esta visão, mesmo após Thomas Friedman ter escrito no NYT que a solução de dois estados estava morta. O outro ator que se interessa muito em normalizar com Israel é o mundo árabe sunita. Especialmente os países do Golfo Pérsico, a Jordânia e o Egito tem um desafio estratégico e de defesa comum com Israel. A hegemonia do eixo Irã-Siria-Hezbollah, patrocinado pela Rússia ameaça a segurança de todos. Além do aspecto militar, o desenvolvimento desta aliança certamente transcenderia para as esferas econômica e cientifica dando um impulso sem precedentes no desenvolvimento da região. O uso dos palestinos pelo mundo árabe sunita como baioneta na luta pela erradicação de Israel inexiste no cenário atual.

Há quatro caminhos possíveis no cenário atual: 1-A espera indefinida e o progressivo isolamento de Israel ao ponto de que haja anexação de Yehuda e Shomron onde os palestinos tenham cantões de autonomia e fatalmente se tornem cidadãos de segunda classe. 2- Demografia e a pressão interna façam com que se busque uma solução binacional e se abdique de ser um estado judeu e democrático. Eu acredito que a 1 é uma etapa que adiaria a 2 em alguns anos ou décadas apenas, mas ambas levariam ao fim de Israel. 3-Guerra civil com desfecho de expulsão. Esta opção é idealizada com o componente do extermínio por grupos fundamentalistas islâmicos jihadistas como o Hamas, mas os grupos de extrema direita fundamentalista religiosa de Israel também têm ideários onde a expulsão ou o tranfer são almejados; 4-solução de dois estados, onde ambas as autodeterminações são preenchidas e há transformação da narrativa de lado a lado.

O caminho da solução de dois estados, ressuscitando o axioma “terra por paz” exigirá uma reconstrução da narrativa atual palestina e da israelense. Nestes vinte anos o árabe israelense reforçou a sua identidade palestina. Este fato não é excludente dele possuir a cidadania e se considerar simultaneamente israelense. Há precedentes mundo a fora, inclusive na Europa onde as fronteiras mudaram no decorrer dos séculos. O exemplo dos mexicanos nos Estados Unidos também se aplica. Eles gozam de todos os direitos da cidadania americana e mantém a identidade e o ethos mexicano. Os assentamentos judaicos dos grandes blocos devem permanecer com Israel sendo feito trocas triangulares por territórios de área semelhante, especialmente com a Jordânia.

A conscientização em Israel de que o processo de tornar as fronteiras perenes é duro e com percalços deve ocorrer previamente ao acordo. O mantra da paz deve sempre existir pois ele faz parte inexorável na existência do povo judeu presente inclusive em preces e nos textos sagrados como os Salmos. Porém, assim como que o objetivo final de uma guerra é a paz, e infelizmente há dor. O objetivo final de um status nacional perene também é a paz e o caminho também é espinhoso. No entanto, é muito mais fácil agir e reagir militarmente contra o terror em um cenário de acordos estabelecidos do que em um cenário de conflito e de guerra.

Hoje o cenário interno em Israel e nos Palestinos faz com que a perspectiva deste acordo pareça impossível e desoladora. No entanto, a janela de oportunidade da solução de dois estados continua aberta e ainda consiste em consenso diplomático global. Se trabalhada de forma estratégica e com a participação de todos os atores regionais interessados, há como fazer ressurgir a permuta vencedora de “terra por paz”.

Para tanto, Israel deverá recuar exércitos e evacuar cidadãos de territórios muito caros historicamente, religiosamente e emocionalmente. Já os palestinos deverão recuar de algo ainda mais complexo. Deverão abandonar a utopia de que o sionismo evaporará da história sendo substituído pela Palestina. O abandono do paradigma atual onde dois movimentos nacionais excludentes lutam entre si e a readoção da solução de dois estados passa pelo entendimento de que todos refugiados palestinos poderão voltar para um estado palestino e construir novos lares visando criar a Palestina e não serão mais usados como massa de manobra para destruir Israel. Esta é a pedra fundamental de um novo Oriente Médio. O novo Oriente Médio trará a paz, e não o contrário como se pensou nos anos 90.

CHAG PESSACH SAMEACH.

CHAG HAHERUT (da liberdade) SAMEACH.

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