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Temos um Novo Rabino – por Uri Lam

15.12.2016

Recebi com emoção o convite para dirigir o serviço de Shabat – nesta sexta-feira, dia 16 de dezembro de 2016 – no qual o Guershon será formalmente instalado como rabino da SIBRA

Enquanto escrevo estas palavras, o líder religioso da SIBRA, Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência de Porto Alegre, deve estar vivendo seus últimos momentos antes de receber o tão esperando título de Rabino. Mas para todos os membros da SIBRA, Guershon Kwasniewski já é o seu rabino nos últimos 20 e tantos anos. Nossas histórias são paralelas em muitos sentidos. Assim como o Guershon, por muitos anos dirigi serviços religiosos, ensinei, celebrei cerimônias judaicas, participei de encontros inter-religiosos e fiz quase tudo o que cabe a um rabino fazer – sem ter o título de rabino.

Assim, eu sei muito do que o Guershon deve estar sentindo neste momento. E ele sabe mais do que ninguém a emoção que eu senti quando da minha semichá – a minha ordenação rabínica em Jerusalém, em 2012. Dos rabinos do Brasil, ele era um dos poucos que estava presente. Também estava lá o rabino Adrian Gottfried, da Comunidade Shalom de São Paulo, filiada ao movimento masorti – prestigiando a ordenação rabínica de seu irmão, o querido Esteban Gottfried, que se tornava rabino junto comigo. Esteban é rabino da Beit Tefilá Israeli, uma das comunidades mais criativas que conheço, responsável por serviços de Shabat memoráveis à beira do mar em Tel Aviv, durante o verão israelense.

Também o Esteban foi rabino na prática por anos a fio, sem ter o título de rabino; mas esta é outra história. Eu me coço aqui para publicar as palavras que escrevi para o Guershon, que direi para ele nesta sexta-feira à noite em Porto Alegre. Mas não posso fazer isso! Quem sabe, se pedirem, escrevo na minha coluna na semana que vem. De qualquer modo, nunca imaginei que eu dirigiria um serviço de instalação de um novo rabino para o povo de Israel. O sentimento, a emoção envolvida em cada palavra, em toda a preparação, é indescritível, ainda mais quando se trata de um amigo querido. Uma passagem da Ética dos Pais diz assim: Assê lechá Rav uknê lechá chaver, faça para ti um rabino e adquira para ti um amigo.

Com o Guershon foi um pouco do oposto: no início fiz um amigo, para depois adquirir para mim um rabino. Os momentos e experiências já foram tantos que nem me lembro mais quando foram, mas isso pouco importa. Lembro-me de quando decidi que era o momento do meu Lech Lechá, de eu ir por mim mesmo e para mim mesmo em direção a uma terra que não conhecia, mas que intuía ser o meu caminho: a formação rabínica. E me lembro de quando insisti com o Guershon para retomar este caminho, que ele já havia iniciado e que fora interrompido por aquilo que meu pai costuma chamar de “as vicissitudes da vida”. Eu me recordo do esforço brutal do Guershon de passar alguns dias da semana em Buenos Aires e outros em Porto Alegre; de conciliar estudos e família, de lidar com diplomacias comunitárias das mais razoáveis às mais caricatas, e ao mesmo tempo seguir dirigindo a SIBRA com um empenho poucas vezes visto. Eu parti para Jerusalém, para o seminário rabínico progressista ⁄ reformista em Jerusalém, o HUC.

O Guershon seguiu em Buenos Aires. E os anos foram passando. Em 2012, época da minha ordenação rabínica, Guershon estava em Israel e fez questão de estar presente no Tékes Hasmachá, a Cerimônia de Ordenação Rabínica. O cenário era o lindo espaço no último andar do Hebrew Union College, em Jerusalém, com vista para a Cidade Velha. Era um momento único, em que eu tinha comigo meus pais e muita gente querida de Israel, mas senti falta e lamentei a presença de gente da minha comunidade brasileira daquela época. No entanto, lá estavam aqueles que se interessavam e se importavam: minha família, o Guershon, e também a querida Sima, uma senhora maravilhosa que vive em Israel, vizinha de bairro, que compareceu à cerimônia. Quando a vi, ela se aproximou da bimá e me disse: “Bom, você me disse que não teria ninguém da sua congregação representado – aqui estou, sou da sua congregação!” Como diria a Rita Lee: fofa. Outra coisa incrível nos aconteceu logo em seguida: com o Guershon em Israel, a SIBRA precisava de um rabino que o substituísse em um dado Shabat. Por motivos que só a filosofia poderia esclarecer – que bom que, ao que parece, o governo está voltando atrás em retirá-la do currículo do ensino médio – fui chamado para realizar este serviço religioso. Tudo ótimo, com um porém: seria o meu primeiro Cabalat Shabat formalmente como rabino e pensei que este devesse ser na minha congregação.

Foi então que me dei conta de que a SIBRA, cada vez mais, se tornava mais e mais a minha congregação. O serviço foi lindo, e toda vez que vou à SIBRA me lembro e tento entender por que, digamos, a minha instalação como rabino teria que ter sido em uma congregação e numa cidade que não eram minhas. Mas o Tempo é sábio. Para encurtar, o destino, a Providência Divina, as circunstâncias, a lei do destino – ou todos juntos ao mesmo tempo agora – fizeram com que eu conhecesse a minha futura esposa, gaúcha, em Brasília.

Mas o que isso tem a ver com o Guershon?

Simples: ela e sua família são membros da SIBRA. Por estas e outras – aliás, muitas outras – o Guershon foi o escolhido para ser o rabino na minha hupá, minha cerimônia de casamento, aqui na Congregação Israelita Mineira. Ah, ainda não tinha o título de rabino? Para mim e para a minha então noiva, ele já era e é o nosso rabino. Não nos arrependemos por um segundo sequer e recomendamos: você quer ter uma cerimônia nupcial judaica significativa, igualitária, sensível, bem humorada, emocionante? Fale com o Guershon – e claro, com a Carla e o Marcelo, ela uma hazanit maravilhosa, ele um hazan primoroso. Mas sobretudo, amigos. “Faça para si um amigo e adquira para si um rabino”, no meu Pirkei Avot de ordem invertida. O que mais posso dizer do Guershon? Que Deus sabe por que o Shabat da sua instalação como rabino é em Shabat Vaishlach. Na parashá desta semana encontramos Jacob lutando contra um anjo – eu sempre penso que lutou contra si mesmo, seus medos, suas expectativas, seus medos. Jacob saiu ferido, mas pela manhã, quando o seu adversário noturno lhe perguntou o nome, ele respondeu: “Jacob”. O homem⁄anjo então afirmou: “ Jacob não será mais o seu nome, mas sim Israel! Porque você lutou contra Deus e contra todos – e você venceu”. Parabéns, Rabino Guershon Kwasniewski, você venceu. Muitas e novas batalhas virão pela frente, sabemos disso. Você saberá enfrentá-las com a dignidade de sempre. Mas por ora respire e comemore, amigo. Em hebraico se diz: maguía lechá – você merece.

 

*Uri Lam é atualmente Rabino da Congregação Israelita Mineira

Texto publicado originalmente no Portal Judaico

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