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Sobreviventes do Holocausto palestram na UFRGS

29.03.2016

Na quinta-feira, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recebe quatro sobreviventes da Segunda Guerra Mundial que participarão do painel Compromisso Moral e Lições de Solidariedade. O evento tem entrada franca, mediante retirada de senhas, e começa às 18h30 na sala II do Salão de Atos (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro).

O painel Compromisso Moral e Lições de Solidariedade é desenvolvido desde 2008 pelas Lojas da B´nai B´rith do Rio Grande do Sul e pelo Instituto Cultural Judaico Marc Chagall, com o intuito de promover discussões sobre direitos humanos, respeito à diversidade étnica, cultural, religiosa e social. Cada convidado terá cerca de 30 minutos para relatar como conseguiu sobreviver ao Holocausto. Após, será aberto espaço para perguntas da plateia. A mediação do evento ficará sob responsabilidade da professora e historiadora Ieda Gutfreind. Não haverá tradução simultânea, pois todos os painelistas falam português.

Quem quiser participar da atividade precisa retirar senha no Museu da UFRGS (Avenida Osvaldo Aranha, 277, campus Centro), das 8h às 20h, mediante apresentação de documento de identidade. Cada pessoa poderá obter até duas senhas. No dia do evento, os assentos não ocupados até as 18h30min serão liberados. A capacidade da sala é de 240 pessoas. O painel encerra uma série de atividades desenvolvidas em conjunto com a exposição As Meninas do Quarto 28, que segue aberta à visitação no Museu da UFRGS até 31 de março. Informações pelo telefone (51) 3308-4830 ou pelo e-mail museu@museu.ufrgs.br.

 

Os Palestrantes

BERNARD KATS

Judeu, holandês, nascido em 27/11/1936, na cidade de Hengelo, província Overijssel, Holanda. Tinha três anos quando a Holanda foi invadida em 10/05/1940. Desde o início de sua invasão, os nazistas impuseram sérias medidas de restrição e perseguição aos judeus. Seu pai foi levado ao campo de detenção Westerbork e logo enviado ao KZ Mauthausen/Áustria. Poucas semanas após, receberam aviso de sua morte. Bernard e a irmã foram entregues numa organização da comunidade protestante reformista (calvinista) criada para proteger os perseguidos. Passaram por sete endereços diferentes, em alguns deles ficando só por uma noite. Trocaram de nomes e de filiação, de modo que sua identificação deixaria o passado muito longe. Assim, conseguiram se salvar. No pós guerra, com a ameaça de um novo conflito armado devido à “guerra fria”, sua mãe decidiu emigrar ao Uruguai no ano de 1953. Em 1970, a empresa para a qual Bernard trabalhava convidou-o para atuar em Porto Alegre.

HERTHA SPIER

Judia, nasceu em 1918 no antigo Império Austro-Húngaro, hoje território da Polônia. Vivia com os pais e seus quatro irmãos numa pequena cidade perto da fronteira com a Alemanha. Com a invasão do exército nazista foi confinada no Gueto de Cracóvia e depois prisioneira em três Campos de Concentração: primeiramente Plaszow, depois Auschwitz e, finalmente, Bergen-Belsen. Hertha abdicou da inclusão na Lista de Schindler para ficar ao lado da última irmã que, na ocasião, ainda estava viva. Perdeu toda sua família e foi resgatada ao término da Guerra pesando 28kg. O seu número de prisioneira, tatuado em Auschwitz, segue bem visível em seu antebraço. Encaminhada pela Cruz Vermelha para um hospital de acolhimento aos sobreviventes, na Suécia, Hertha permaneceu lá por um ano e recuperou sua condição física. Emigrou para o Brasil onde refez a sua vida. Casou, teve seus dois filhos e trabalhou como representante comercial. Participou como personagem do livro “A Sobrevivente A21646” e do curta-metragem “Dona Hertha”, filme premiado que foi apresentado na RBS e no Canadá.

CURTIS HENRY STANTON

Judeu, alemão, nascido em 21/08/1929, na cidade de Hamburgo, Alemanha. Tinha 12 anos quando a II Guerra Mundial começou. Precisou usar a estrela de David para se identificar. Na escola, era ofendido pelos colegas e brigava, constantemente, para se defender, o que o levou a expulsão do colégio. Juntamente com sua família, Curtis foi levado para o gueto de Lodz (Polônia). Depois, ele conseguiu escapar de onde estava e voltou ao apartamento onde os pais viviam, quando soube que seu pai tinha falecido. Após esses fatos, eles foram levados para o campo de concentração de Aushwitz, onde sua mãe foi para câmara de gás. Depois da guerra reencontrou seu irmão e primos do seu pai na Inglaterra, onde viveu até 1958, quando a empresa que trabalhava ofereceu uma transferência para o Brasil. Atualmente, mora em Porto Alegre com sua família.

JOHANNES HENDRIKUS THEODORUS WILHELMS MELIS

Católico, holandês, nasceu em 19 de junho de 1938, na cidade de Roermond, ao sul da Holanda. Estava com dois anos quando começou a II Guerra Mundial. Suas lembranças dos acontecimentos do conflito datam os anos de 1943, quando tinha 5 anos. Seu pai era membro da resistência holandesa. Ele foi treinado para desarmar equipamentos de guerra. Corajosamente, salvou famílias de judeus, escondendo-os em sua casa. Além disso, salvou também pilotos ingleses, canadenses e americanos. Sua família veio para o Brasil em 1951, onde se naturalizou brasileiro. Morando no país, Johannes foi atleta e representou o Brasil no esporte de remo. Atualmente, vive com sua família em Porto Alegre.

 

Fonte: Zero Hora

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