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Sobreviventes do Holocausto compartilham suas memórias em evento na UFRGS

28.01.2016

O encontrou marcou o “Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto”

Comovente e emocionante. Assim foi o encontro no Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na noite de quarta-feira, 27/01, em que os poucos sobreviventes do holocausto, em Porto Alegre, compartilharam com o público, que lotou o local, as suas memórias da 2ª Guerra Mundial. O evento marcou o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto”, data instituída pela Assembleia Geral da ONU, em 2005, como forma de lembrar a libertação do maior campo de concentração nazista (Auschwitz Birkenau), pouco antes do final da Guerra, em 1945.

Bernard Kats, Curtis Henry Stanton, Max Wachsmann Schanzer e Johannes Melis, mais uma vez, foram buscar nas suas recordações as lembranças dolorosas de uma das piores tragédias da história contemporânea. Já são mais de 70 escolas visitadas por eles com o projeto “Compromisso moral e lições de solidariedade”, que tem como objetivo fazer com que esse episódio nunca mais se repita.

Judeu holandês, Bernad Kats, com 79 anos – tinha 3 anos quando a Holanda foi invadida -, conta que passou décadas sem falar das suas memórias por sentir-se culpado de ter sobrevivido. “Eu rezava e questionava por que não tinha sido levado junto com o pai, morto pelos nazistas”, lembra emocionado. Para Bernards, foi difícil entender que era preciso contar sua história para relembrar ao mundo o que aconteceu há pouco mais de 70 anos. “A única coisa que podemos fazer é falar o que passamos”, diz ele sobre as armas que possuem para lutar contra a tirania.

Após a morte de seu pai, Bernard e sua irmã foram entregues numa organização da comunidade protestante reformista (calvinista) criada para proteger os perseguidos. Passaram por sete endereços diferentes, ficando em alguns deles só por uma noite. Trocaram seus nomes, sua filiação e, assim, conseguiram se salvar. No pós-guerra, com a ameaça de um novo conflito armado devido à “guerra fria”, sua mãe decidiu emigrar ao Uruguai em 1953. No ano de 1970, Bernard veio, a trabalho, morar em Porto Alegre.

Filho de holandês católico, Johannes Melis, de 77 anos, conta com orgulho a trajetória do seu pai. Membro da resistência holandesa, treinado para desarmar equipamentos e escafandrista, o pai de Melis salvou famílias de judeus, escondendo-os em sua casa. Corajosamente, também, salvou pilotos ingleses, canadenses e americanos.

No encontro com o público da UFRGS, Johannes lembrou que toda vez que o pai era questionado se não sentiu medo pelo que fez, ele dizia: “Sentia medo sim, mas tinha mais medo de não ter ajudado”. Sua família veio para o Brasil em 1951, e Johannes naturalizou-se brasileiro.

Para Curtis Henry Stanton, judeu, alemão, de 86 anos, a parte mais difícil, depois de viver quatro anos sob a mira do regime nazista, é se readaptar ao convívio social. “A gente se torna um ser humano complicado”, revela. Aos 12 anos, quando começou a 2ª Guerra Mundial, Curtis era ofendido pelos colegas na escola por usar a estrela de David. Sua família e ele foram para o gueto de Lodz (Polônia). Seus pais morreram em campos de concentração. Depois da guerra, reencontrou seu irmão e primos do seu pai na Inglaterra, onde viveu até 1958. Veio a Porto Alegre transferido pela empresa para a qual trabalhava.

Max Wachsmann Schanzer, judeu, polonês, de 87 anos, recorda com tristeza que todo o sofrimento que passou foi “somente por ser judeu”. Ele Tinha 11 anos quando começou a 2ª Guerra Mundial e sua família foi confinada no gueto Shredlice, na Polônia. Em 1943, durante uma seleção no campo, seus pais e a pequena irmã de cinco anos, foram levados em vagões de gado, para o campo de extermínio de Auschwitz, onde morreram nas câmaras de gás. Ele e mais três irmãos foram levados para campos de concentração de trabalhos forçados. Foi, então, que passou a ser chamado não pelo nome e, sim, pelo número que lhe deram: 25861. Em 1945 foi libertado pelos russos. Passou pela Alemanha, França, Argentina e Bolívia, chegando ao Brasil em 1954.

No evento, que contou ainda com apresentações musicais e uma homenagem do Grupo de Diálogo Inter-religioso, o presidente da OAB/RS, Ricardo Breyer, destacou que é preciso aprender com esses exemplos de vida e que a Ordem dos Advogados está atenta aos atos que podem caracterizar antissemitismo, racismo e qualquer intolerância. “Estamos unidos com a Federação Israelita e com outras entidades para atuarmos fortes nessas situações. Estamos preparados e vamos lutar pela cidadania,” advertiu.

Zalmir Chwartzmann, presidente da FIRS, ressaltou a aproximação da UFRGS com o tema. “Como é importante quando a Academia, com a envergadura da Universidade Federal, se apropria desse tema da mesma maneira. É um indicativo de que estamos no caminho certo. Da mesma forma, a OAB, que já faz um trabalho pioneiro no Rio Grande do Sul, de levar o assunto adiante, e que já está colhendo frutos em outros estados”.

José Fortunati, prefeito da capital, defendeu que a fonte primordial do holocausto foi a intolerância e o não respeito às ideias. “Por isso a importância da presença do Grupo de Diálogo Inter-religioso no evento.
Demonstra que a convivência pode orientar nossos caminhos”.

Carlos Alexandre Netto, Reitor da UFRGS, reiterou que a Universidade é  aberta a todos e busca cada vez mais incluir. E concluiu: “O que estamos celebrando aqui é buscar a construção de um mundo melhor, com conhecimento e diálogo”.

Confira as fotos do evento

 

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