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Fabio Lavinsky

Shalom Leitores! Conhecendo o Colunista

07.11.2015

Caros leitores,

Aos que não me conhecem, meu nome é Fabio Lavinsky, também conhecido como Lava. Quando recebi o gentil convite para ser colunista do site da FIRS, a primeira reação foi um sentimento de honra incrível, porém com uma ponta de perplexidade. No entanto, muito desta perplexidade se dissipou ao pensar e elaborar este primeiro texto onde me apresento.

Depois de alguns anos expondo ideias e discutindo diversas questões de forma esporádica em “microblogs” e “redes sociais” em três idiomas (incluindo o hebraico), agora também o farei neste canal de forma regular e consistente. Mas eu almejo manter um certo viés de rede social neste espaço. Quero que os canais estejam abertos para debater, interagir, conhecer e aprofundar todas as questões, bem como estreitar relações com os leitores. Não quero de forma alguma falar de um pedestal de forma vertical. Acima de tudo pretendo compartilhar. Compartilhar ideias, ideais, percepções, experiências, análises, notícias, bastidores do poder, e um número sem fim de questões que com certeza emergirão no decorrer desta “timeline”.

Ao falar de aspectos relevantes da minha biografia os quais podem explicar os porquês de eu ser um colunista da FIRS que enfocará em questões sociais, políticas, estratégicas e tecnológicas de Israel, iniciarei pelo começo de tudo. A base de toda vida judaica e sionista está na juventude. Na infância fui pail da Chazit Hanoar e após ter participado do extinto programa Tapuz em 1992 me apaixonei por Israel e pela língua hebraica. Na verdade, desde muito cedo já acompanhava Israel de forma apaixonada no noticiário e lendo livros. Não esqueço que a primeira vez que eu li Exodus tinha apenas 11 anos. Ao voltar do Tapuz eu me tornei Rosh Chinuch da Chazit Hanoar de Porto Alegre com 16 anos. No mesmo ano fundei junto com outros companheiros o Conselho Juvenil das Tnuót (movimentos juvenis). Foram anos excelentes e muito produtivos na Tnuá. Aos 18 anos ingressei na medicina, porém mantive o estudo de hebraico me tornando fluente e praticando-o em viagens periódicas a Israel onde realizei vários estágios e eletivos em diversos hospitais. Em 2002 finalmente eu consegui unir os “dois mundos”. Entrei no maior hospital do oriente médio, o Sheba Medical Center, Tel Hashomer para a residência e lá permaneci durante anos trabalhando como médico e posteriormente me especializando como oftalmologista.

A prática da medicina em um centro de excelência me proporcionou uma experiência única não só na atividade fim, mas também em termos de aprendizado sobre Israel vivenciando de forma direta e indireta os principais acontecimentos históricos em tempo real. O contato com toda a sociedade israelense foi intenso, profundo e elucidativo: Sabras ou olim de inúmeras procedências e idiomas: russos, americanos, franceses, latino americanos e outros. Religiões diferentes: judeus, árabes, muçulmanos, drusos, cristãos, bem como judeus de linhas diferentes: laicos, ortodoxos, ultra-ortodoxos, reformistas. Tratei soldados, comandantes, generais, políticos e até mesmo terroristas. Ouvi histórias de veteranos do Palmach, do Irgun e da Haganá, de sobreviventes do holocausto, de veternos do exército vermelho e de Partizans. Vi um sistema de saúde que trata igual milionários, pobres, membros da grande classe média, famosos ou anônimos. Olhei dentro dos olhos de sefaradim, de ashkenazim, de persas, de russos, de etíopes, de colonos da Cisjordânia, de rabinos de Bnei Brak, de donos de start-up milionários do norte de Tel Aviv, de kibutznikim de sandálias, de torcedores de futebol fanáticos de subúrbios, de beduínos de Beer Sheva e do Negev, de cristãos da Galiléia e de crianças palestinas doentes ou feridas que foram trazidas para Israel como ultima chance de cura ou de sobrevivência com o subsidio da Autoridade Palestina. Estes são apenas exemplos de um mosaico humano único chamado Estado de Israel que tive a dádiva de acima de conhecer poder amparar, tratar e muitas vezes curar.

Anos no hospital criaram um viés humano incorrigível e independente das questões políticas, militares, religiosas e ideológicas o mais importante é focar nas pessoas. As lagrimas de um ente querido não tem cor, nem sotaque, nem bandeira. O abraço de felicidade não tem disputas de fronteira, elas vão até onde os braços alcançam. Bandeiras, fronteiras, segurança e até mesmo conflitos devem ter como objetivo final o bem-estar coletivo. Um dos princípios da segurança é a dissuasão, ou seja, o inimigo não ataca pois tem muito a perder com o conflito. Pois afirmo sem dúvida alguma que não há nada mais dissuasivo que o bem-estar coletivo nos âmbitos social, educacional, econômico e nacional.

Fazendo uso desta bagagem, tentarei proporcionar aqui uma visão analítica e preditiva das questões políticas, sociais, econômicas, tecnológicas e estratégicas de Israel. O meu objetivo neste espaço é colocar em pauta inúmeras questões envolvendo os três grandes círculos do mundo judaico: Estado de Israel (Medinat Israel), Terra de Israel (Eretz Israel) e um círculo mais amplo: Beit Israel, que engloba temas referentes a judaísmo, cultura, história e filosofia judaicas de forma universal e sem fronteiras.

Cabe ressaltar aqui o incalculável apreço e gratidão que tenho pelo Brasil e pelo Rio Grande do Sul. Quem estuda a história da humanidade e especialmente a história judaica sabe que a liberdade, o respeito, a paz e a oportunidade de construir junto de todas as outras etnias este pais fabuloso é algo precioso e singular. Ser sionista, ou seja, acreditar no direito de autodeterminação judaica na sua terra ancestral, não é de forma alguma contraditório ao fato de fomentar comunidades judaicas 100% integradas e vibrantes nas nações pujantes do mundo livre como é o nosso Brasil.

Acredito que ser colunista da FIRS e trazer aqui diversas pautas relevantes para o futuro dos três círculos: Beit Israel, Eretz Israel e Medinat Israel consiste em um desafio incrível e acima de tudo uma grande missão. E é uma grande felicidade declarar aberto este canal nobre e inovador para cumprir esta missão.

Até a próxima e ótima semana (Shavua Tov),

Lava

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