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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

PHILIP ROTH

24.05.2018

A morte do escritor americano-judeu abre uma lacuna na literatura e na memorialística judaica que dificilmente será  preenchida.

Embora herdeiro distante de Sholem Aleichem e Isaac Barshevitz Singer, Roth seguiu um rumo diferente.

Seus personagens estão engajados definitivamente na sociedade americana e convivem com o mundo “gentio”.

Como Aleichem, suas narrativas são focadas em pessoas comuns e na vida comum.

Nenhum heroísmo, nenhuma eleição ou proteção Divina.

A vida, para ele, é  a da rotina. Pequenas e grandes emoções.

Desde “Paixão  de Primavera” (“Gold by Columbus”  no original), um livro de contos ou histórias curtas nas quais era um mestre incomparável, seguiu-se uma extensa produção.

Uma em particular, ou melhor, um personagem se destaca.

É  o modesto professor secundário dos arredores de New York.

Acusado (década  de 50) por atividades anti-americanas, pela Comissão parlamentar de Joseph McCarthy e R. Nixon,

é submetido a um prévio  julgamento na escola em que leciona.

Leva junto a mulher e a filha pequena.

O processo inquisitorial que atingiu muitos judeus e estimulado por alguns da indústria do cinema, todos judeus, conclui pela sua culpabilidade.

“Defendemos a democracia contra os maus americanos”  diz o algoz no final.

Então,  a filha pede para falar e afirma:

“Vocês não protegem a democracia. Vocês  a estão  destruindo porque não aceitam ideias diferentes das suas”.

Philip Roth fez a mais profunda definição de democracia e direitos humanos. Colocou-a na voz de uma menina.

Fiel ao espírito dos avós que vieram para uma terra de promessa de liberdade e igualdade.

Hoje sob o comando dos herdeiros de McCarthy.

1 Comentário a PHILIP ROTH

  1. Sílvio Lewgoy's Gravatar Sílvio Lewgoy
    24 de maio de 2018 at 21:54 | Permalink

    Mais um lúcido e inteligente texto do Wremyr Scliar, um dos maiores e melhores resistentes no combate pela democracia.

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