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Obra de restauração do Cemitério Israelita de Philippson é entregue à comunidade

20.05.2016

No meio do Pampa Gaúcho, a comunidade judaica reencontrou sua história na tarde da última quinta-feira (19). Em solenidade para cerca de 50 pessoas, a obra de restauração do Cemitério Israelita de Philippson, localizado em uma fazenda às margens da BR-158, em Itaara, foi entregue oficialmente à comunidade. Tombado pela Secretaria de Cultura do Estado como Patrimônio Cultural, o local é o berço da primeira imigração organizada dos judeus ao Rio Grande do Sul, em 1904.

 “Recuperar o cemitério, antes de tudo, é recuperar a memória e a cultura daqueles que nos antecederam. E isso não é uma obrigação minha, dos judeus de Santa Maria e do Brasil, mas é dos judeus do mundo todo porque aqui é fonte de uma história que foi calcada por louros, mas muito sofrimento”, disse o ex-presidente da Sociedade Beneficente Israelita de Santa Maria, Sérgio Klinow Carvalho, responsável pela obra. Para Sérgio, o sentimento é de dever cumprido.  “Agora, a responsabilidade é de todos continuarem o trabalho de manutenção do local”.

Zalmir Chwartzmann, presidente da Federação Israelita, também destacou o valor memória para o povo judeu e o dever de preservar o passado. “Estamos falando daquilo que é mais importante para o povo judeu, que é a memória. Hoje lembramos daqueles que chegaram fugindo da perseguição e aqui receberam o afeto e carinho do povo gaúcho. Esse local representa essa memória”. E completou: “O passado é importante para orientar o futuro, por isso essa obra é um marco, que mostra a importância que damos a todos aqueles que vieram na primeira imigração organizada para o Rio Grande do Sul”.

 Representando as famílias doadoras, Rosalvo Bronfmann, disse que, como judeus, é um dever fazer de tudo para aqueles que os antecederam. “Isso é honrar nossa história”, destacou.

 Já a diretora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, Miriam Sartori Rodrigues, representando o secretário de Cultura, Victor Hugo, revelou que a obra do cemitério de Philippson é referência de restauro no Rio Grande do Sul.

 O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, e o vice de  Itaara, Wilson Lucca, ressaltaram a importância do povo judeu na construção e desenvolvimento das duas cidades.

 Em tarde de reencontro com o passado, Fanny Bronfman Galperin, que chegou de Curitiba especialmente para o evento, relembrou seu bisavo, Idel Bronfman, enterrado no local, e o tempo que moravam em Santa Maria. “Ele nos deu tudo aquilo de bom que sabia e, por isso, é uma lembrança eterna”.

 Já a proprietária da fazenda, Alegria Steinbruch, não escondeu a emoção ao falar do carinho que sente pelo lugar e das lembranças em família. “O cemitério faz parte dessa colônia. Meu pai ficou em Santa Maria e cuidava do cemitério melhor do que qualquer coisa. Esse amor a Philippson se passa de pai para filho. Sempre digo que não restou nada da colônia, mas tem Philippson. São histórias de pessoas de bravura que precisam ser respeitadas e é isso que tento passar ao preservar o local”.

 Com entusiasmo, Alegria comentou ainda a surpresa ao encontrar um ornamento desconhecido em um sarcófago, depois de todos esses anos. “Caminho neste cemitério há anos e nunca tinha visto aquelas flores”, disse ela apontando para o adereço que apareceu depois das obras.

Com investimento em torno de R$ 500mil, o cemitério recebeu a consolidação e restauração dos muros; restauração e adequação do portal de entrada; remoção do piso; reintrodução de grama; instalação de novos passeios de pedras; drenagem do terreno; restauração, consolidação e limpeza dos túmulos; e instalação de bancada com mapeamento dos túmulos. As ornamentações existentes nos túmulos também foram restauradas.

A iniciativa foi da SBISM (Soc. Beneficente Israelita de Santa Maria), com o apoio do IPHAE-RS (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado), da FIRS (Federação Israelita do RS), da proprietária da Fazenda Philippson, Alegria Steinbruch, do Instituo Cultural Judaico Marc Chagall de Porto Alegre, das prefeituras de Santa Maria e Itaara, e gestão cultural e administrativa da Lahtu Sensu Administração Cultural. O projeto paisagístico de consolidação dos muros e portal é da arq. Berenice Pinto da Costa – Parnaso Arquitetura, o projeto de restauração dos túmulos da Ms. Gessônia Carrasco – Arco.it.    A empresa que executou as obras é a BK Engenharia de Santa Maria. Os recursos que viabilizaram o projeto foram captados pela SBISM junto à comunidade judaica e em especial de famílias que mantém suas origens brasileiras em Philippson.

Confira as fotos de evento.

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