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Marcos Weiss Bliacheris

O LADO JUDAICO DO SUPER BOWL LII

03.02.2018

Neste domingo, 04 de fevereiro, será jogada a 52ª. edição do Super Bowl que coloca em campo o New England Patriots e o Philadelphia Eagles.

Desde o início, nosso blog no site da Federação Israelita do Rio Grande do Sul traz um olhar judaico sobre os mais diversos assuntos. Ano passado, escrevi sobre “o lado judaico” do Super Bowl, a final do campeonato da NFL, a milionária liga de futebol americano. Este ano, novamente vamos trazer curiosidades judaicas sobre o evento esportivo mais importante dos EUA.

(Se você não sabe as regras do esporte, leia esta coluna do meu filho, Amir Ribemboim Bliacheris, explicando tudo: http://esportesmais.com.br/welcome-to-nfl-regras/ . Quem se interessar pode acompanhar a página dele no facebook: https://www.facebook.com/sabedorianfl/?fref=ts. Propaganda de pai vale!).

 

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A personalidade do jogo sem dúvida é Tom Brady, o quarterback de 40 anos que é bastante conhecido no Brasil como marido de Gisele Bundchen. O jogador poderá liderar o Patriots para o seu sexto campeonato, que seria o sexto título de sua carreira, o que tornaria a sua equipe a mais vitoriosa da história (junto com os Pittsburgh Steelers) e faria de Tom o jogador com maior número de títulos na NFL, reforçando os argumentos dos que o consideram o maior jogador de futebol americano de todos os tempos.

Os dois times são de cidades com grandes comunidades judaicas, ambas com mais de 250 mil judeus. E as comunidades, assim como todos EUA, estão mobilizadas para o jogo. Em Minneapolis, local da decisão, a sinagoga ortodoxa Darchei Noam fez um “Super Bowl Shabat” recepcionando e até mesmo hospedando torcedores que foram à cidade para o evento.

E, claro, temos as tradicionais apostas de tzedaká.  A sinagoga de Philadelphia, Congregation Rodeph Shalom apostou com a Boston’s Temple Israel (casualmente, a sinagoga que o proprietário dos Eagles frequentou quando criança) que o perdedor doará 18 vezes a diferença de pontos entre a equipe vitoriosa e a derrotada.

Rabinos de ambas equipes também fizeram apostas de doações. Muitas envolvem as guloseimas típicas de cada Estado – pretzels da Filadélfia ou dunkin donuts de Boston. No próximo shabat, o perdedor trará a comida típica do estado da equipe vencedora para o kidush!

As duas franquias (como os times também são chamados lá) são de proprietários judeus, ambos nascidos e criados em Boston e ambos torcedores do Patriots. Será a terceira vez, desde 2012, que Robert Kraft enfrentará outro dono de franquia também judeu.

O principal proprietário do Eagles é Jeffrey Lurie, com a participação minoritária de sua ex-esposa Christina Weiss Lurie, nascida em uma família judia do México.  O casal fez fortuna trabalhando no cinema. Antes disso, Jeffrey Lurie teve uma carreira acadêmica no campo das Políticas Sociais, em Brandeis, a tradicional universidade judaica americana.

Nas eleições, Kraft doou para a campanha em Trump e Lurie, para a de Hillary Clinton,

Nas eleições, Kraft doou para a campanha em Trump e Lurie, para a de Hillary Clinton,

 

Vieram da comunidade judaica local também dois fanáticos torcedores que marcaram a vitoriosa campanha dos Eagles. Howie Roseman é o diretor-geral do time, que começou como estagiário sem receber salário até atingir o posto atual. “Philadelphia Phil”, Phil Basser, torcedor-símbolo do time e sensação das redes sociais que, com seus 99 anos, acompanha o esporte desde a década de 30.

Robert Kraft, proprietário dos Patriots, comanda o grupo empresarial Kraft. Vindo de uma tradicional família judaica, ele jogou futebol americano na juventude, quando era conhecido por não jogar no shabat. Ao receber um doutorado honorário na Yeshiva University disse que “uma vida de valores judaicos deve criar um mensch”, típica expressão iídiche que significa alguém honrado.

A liga israelense de futebol americano leva seu nome e os jogadores do Patriots costumam visitar o País, inclusive o Estádio Família Kraft, de futebol americano.

Na coluna do ano passado destacamos um jogador: Julian Edelman. Destaque da equipe dos Patriots e afastado da atual temporada devido a uma lesão, o atleta foi o protagonista de uma das mais sensacionais jogadas do último Super Bowl, sendo um dos responsáveis pela espetacular virada de New England.

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A capa da Sports Illustrated estampou “milagre”, referindo-se tanto à jogada de Edelman que “desafiou a Lei da Gravidade” como à reação dos Patriots que chegou a estar perdendo de 21×3 e venceu a partida (na prorrogação) por 34×28!

Como contei ano passado, a torcida de nossa família pelos Patriots também tem tudo a ver com judaísmo. Afinal, todos nós viramos fãs deles quando eles mandaram um belo presente de bar mitzvá para meu filho Amir (que ama futebol americano)!

Na carta que acompanhou o presente, os Patriots cumprimentavam pelo Bar Mitzvah e diziam que “para conseguir este admirável objetivo de se tornar um bar mitzvah, você alcançou alto nível de trabalho duro, dedicação e comprometimento. Os Patriots reconhecem a importância deste valores, pois eles foram essenciais para a conquista de cinco Super Bowls”.

Neste domingo, estaremos torcendo pela chegada do sexto Super Bowl.

Yallah Patriots!

 

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