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Rogério Friedman

Sou médico e professor universitário. Vivo num meio onde se busca aprender com a História, se busca a verdade e se trata de cuidar do ser humano. Este espaço acolhe ideias atuais, mas não aceita intolerância ou preconceito de nenhuma ordem.

O “impeachment” e a segurança

23.04.2016

Os escândalos de corrupção na esfera federal, a Operação Lava Jato e o ocaso do Governo Dilma terão incontáveis desdobramentos e já impactam a Sociedade de várias maneiras.

Mas chama a atenção um aspecto em particular: são tantas as notícias surpreendentes a inundar os meios de comunicação que as pessoas estã ficando atordoadas. Em meio à poluição de informação, a Sociedade parece não ter mais energia para lutar por questões locais que impactam seu dia-a-dia.

O caso do Rio Grande do Sul é emblemático. Vivemos uma crise financeira sem precedentes, com resultados nefastos na Saúde, Educação e Segurança. Esta última, em particular, nos fez a todos reféns de um Estado paralelo: o crime.

O Estado formal, constitucional, está perdendo a luta contra o mal. A incidência de crimes contra a pessoa e de crimes com ameaça à vida aumenta sem controle. As forças policiais encolhem e os remanescentes estão sobrecarregados, mal equipados e mal pagos.

Apesar disso, a Sociedade não está demonstrando com veemência a sua inconformidade. Se fazem manifestações contra e a favor do “impeachment” e até uma marcha pelo Teatro da OSPA. São causas nobres, mas, enquanto isso, somos alvejados, espancados, esfaqueados, estuprados, assustados e roubados diuturnamente. Os plantões das delegacias estão cheios de vítimas registrando ocorrências. Há cadáveres em vias públicas. Vivemos atrás de grades. Quem sai para trabalho ou lazer não sabe se voltará para casa.

Estranhamente, no entanto, a Sociedade parece conformada. A imprensa noticia, alguns grupos fazem catarse nas redes sociais, editoriais se queixam. Mas não há manifestações veementes de entidades representativas, da sociedade civil organizada ou de grupos de vítimas. Não há passeatas, caminhadas ou atos públicos. Isso que, no quesito segurança, a eventual indignação tem endereço fácil: o Palácio Piratini.

No Rio Grande do Sul, governos sucessivos exauriram as finanças do Estado de forma irresponsável, de olho nas urnas e em pressões internas. O Governo Sartori assumiu um Estado falido, com a quase totalidade da arrecadação comprometida com a folha de pagamento e com o serviço da dívida. Não tem como investir. Mas isso não o torna menos responsável.

As operações bem sucedidas das Polícias, os sacrifícios e os atos de bravura dos agentes da lei não estão sendo suficientes.

Se nós, como Sociedade, não mostrarmos de forma explícita o nosso descontentamento, o nosso luto, o nosso medo e a nossa indignação, tudo o que será oferecido será apenas mais do mesmo.

A crise moral do Brasil anestesiou o Rio Grande do Sul e, hoje, vivemos um estado de guerra. Todos deveríamos vestir luto e, face à urgência, não aceitar qualquer ação do Governo que não seja na direção de, imediatamente, proteger seus cidadãos. Sartori e seus colaboradores devem respostas mais eficientes do que as que temos visto.arma de fogo

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