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Gustavo Schwetz

Jornalista que não exerce a profissão. Escritor sem livros publicados. Empresário sem MBA. Colunista com a pretensão de derrubar rótulos, questionar verdades absolutas e lutar por uma comunidade / sociedade / mundo mais plural e justo.

Multifaces

01.12.2015

Tenho dormido com Martin Buber envolto em meu braço esquerdo. Como é difícil e, ao mesmo tempo, fascinante, a obra “Eu e Tu”. Admito, sem vergonha alguma, que de vez em quando releio algumas passagens. É preciso atenção redobrada para absorver, de maneira plena, o que ele quer dizer com aquilo tudo. É triste compreender que estamos cada vez mais inseridos na realidade do “isso”. A sociedade de consumo tem apagado de nossas memórias o que realmente importa: o “Tu”. Buber explica como poucos a importância do humanismo na busca do pessoal e também do espiritual.

O braço direito está ocupado com Isaac Bashevis Singer. Contos cuja descrição permite que sejamos transportados aos famosos Shtetls dos anos 20. Judeus pobres e unidos. Religiosos, mas com a fé e a ética colocadas em prova diariamente. Ambição e fidelidade são dois temas recorrentes nas obras. Singer também utiliza personagens fictícios da mística judaica, como o Golem. Com todos os ingredientes, fica praticamente impossível ler um conto pela metade.

Meu avô completa hoje 80 anos. Seu Salomão plantou a semente do judaísmo em mim. É claro que não o fez sozinho. Porém, ele sempre foi minha principal referência. Tradição, orgulho em ser judeu, ativismo comunitário. Pilares que o Shloime sempre prezou e que, de uma maneira incrível, transmitiu aos seus descendentes. Essa chama aquece como poucas. É uma das grandes responsáveis pela minha identidade judaica e humana.

Esse ano fui à sinagoga em apenas quatro ocasiões: Rosh Hashaná, Iom Kipur, Bar Mitzvá do primo e um Shabat. Fiz jejum no Dia do Perdão e misturei carne com leite na janta do Ano Novo Judaico. Acredito em Deus, mas não sigo a religião judaica. Tenho sérias críticas ao governo israelense, mas amo Israel como se fosse minha pátria.

Eu sou um judeu no Século XXI. Com fome de conhecimento, sede de humanismo, espiritualismo não dogmático, vontade de viver para presenciar dois estados para duas nações e respeito pelas tradições e princípios ensinados pelo meu lindo avô.

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