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Wremyr Scliar

Professor de Direito Administrativo (PUCRS), Doutor, Mestre e Especialista em direito.Conselheiro substituto emérito aposentado do Tribunal de Contas - RS. Comenda Oswaldo Vergara - OAB RS. Primeiro diretor da Escola de Gestão e Controle do Tribunal de Contas - RS.

MAIO – a rendição nazista; Holocausto e a criação do Estado de Israel

04.06.2018

Maio é mes que traz coincidências. Em 8 de maio de 1945, o exército nazista assinou a rendição incondicional perante Zhukov, o marechal soviético que após defender e expulsar os alemães rumou até Berlim.

Em 1948, é fundado Israel.

Em maio de 1945, após a libertação de Auschwitz e outros cerca de mil campos de trabalho escravo ou extermínio, o Holocausto entra para a História como a maior tragédia da humanidade.

É possível isolar um dos três fatos e analisá-los isoladamente?

Não encontrar nenhuma relação entre eles? São autônomos?

A ciência da dialética, desde os gregos até a atualidade –  Garaudy -, ensina diferentemente.

Isolar um fato histórico é perder a oportunidade de relacionar seu contexto, desprezar o sentido verdadeiro que as lições do passado nos ensinam. E ainda desprezar anticienticamente as relações que os fatos traçam entre si.

Oficialmente e durante décadas, o Holocausto e a rendição nazista e sua derrota ante a URSS, não mereceram na política e na diplomacia israelense a leitura correta.

Se  vencedor o nazismo, a filosofia e a história seriam ditadas pelo vencedor.

A recente publicação do diário e das atas das reuniões com Hitler, escritos por Rosenberg, um ideólogo influente, demonstram quais os planos para os judeus da Europa – seu aniquilamento. Eichmann, chegou a cogitar do plano de expulsão judaica para a Palestina. Lá esteve e pela distancia e possível bloqueio naval inglês desistiu da ideia assim como do confinamento em Madagascar. Firmou-se em definitivo o plano de aniliquilamento, para os judeus, a solução final.Outras minorias teriam fim idêntico – homossexuais, deficientes, intelectuais, ciganos e toda a oposição sindical, democrática e vinculada ao socialismo.

Aos eslavos da URSS cuja população seria drasticamente reduzida em 100 milhões de seres,  estava reservada, após a divisão do país em três províncias, a condição de escravos na produção de alimentos para a Alemanha.

Somente a vitória sobre os nazistas ao peso de 27 milhões de mortos e 2.000 cidades destruídas, evitou essa barbárie final.

Quando se discute a partilha na ONU, sob a liderança de Oswaldo Aranha, o governo americano estava dividido. Marshall e seus aliados ameaçaram renunciar. Truman titubeou.

A Inglaterra votou contra e somente Aranha, que suspendeu a sessão por mais dois dias – o dia seguinte era o feriado de Ação de Graças -, o que deu tempo para angariar os votos necessários.

O longo documentário da sessão da ONU evidencia a firmeza da URSS pela partilha. Seu representante, Andrey Gromyko, voltou para a tribuna após seu voto favorável, para propor desde logo não apenas a partilha mas a própria criação de Israel pelos judeus.

As palavras de Gromyko não foram mera promessa. Invadido Israel após a proclamação do Estado no ano seguinte por seus vizinhos, o socorro em armas skoda tchecas- naõ por acaso – foi enviado pela URSS.

Alguns historiadores reconhecem que o objeto vital do sionismo antes da Segunda Guerra era a instação dos judeus das aldeias da Europa oriental em um lar nacional sob controle britânico. No entanto, a História seguiu rumo diferente. Restavam poucos, muito poucos, em 1945. E a maior parte, como seus antigos familiares, preferiam a América ou a Austrália. Mas a lição do Holocausto passou a se conjugar com o novo Estado.

O que se deduz – a vitória soviética impede o “o triunfo da vontade” alemã e do nazismo e o aniquilamento de muitos milhões acima dos 70 milhões que foram assassinados.

Os fatos de maio devem ser analisados em bloco, sem isolar os episódios.

É  um mês de reflexão da qual deve aflorar a verdade.

O Holocausto já estava na História como lição dos fatos.

A derrota nazista no leste europeu adentro das fronteiras soviéticas era a condição para o futuro.

Israel surge em maio de 1948.

 

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