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Mario Gurvitez Cardoni

A IRONIA COMO ARMA ou SÓ ANTISSEMITAS NÃO GOSTAM DESTE ARTIGO.

13.01.2018

Valizas é uma bela praia do Uruguai. Remota, rústica, adequada à introspecção. Um paraíso que está distante do rancor e do antagonismo geopolítico.
Engano grosseiro.
Eis que o proprietário de uma pousada em Valizas proibiu a hospedagem de um casal israelense no seu estabelecimento.
Justificativa: não concordar com a política do país dos turistas.
Alguém já viu recusa de hospedagem a cidadãos de alguma outra nação? Se a proibição fosse contra africanos do Sudão em lua-de-mel qual seria a reação dos defensores dos direitos humanos, das ONGs anti-racistas? “Ora, é só mais uma das tantas manifestações de antissemitismo individual. É um caso isolado! O hoteleiro apenas se acha um justiceiro moderno! Quem se importa com a segregação de judeus? Pare de enxergar “pêlo em ovo”! Complexo de perseguição puro e simples entre os judeus, vitimização para obter ganhos: nada mais do que isto.
São estas frases ditas por gênios da simplificação que escutamos no dia a dia.
Não faz muito tempo, a televisão da Venezuela (estatal) apresentou reportagem afirmando que algumas letras hebraicas desenhadas no chão das avenidas de Caracas sinalizavam a iminente intervenção israelo-americana para destruir a democracia, a enorme prosperidade e as liberdades obtidas na gestão Chaves-Maduro.
Não há como não ficar convencido desta estratégia imperialista, pois a reportagem descrevia a invasão sionista marcada pelos simbolos da cabala judaica no asfalto e nos mostrava uma projeção aérea do traçado. Para que mais provas?
Enquanto isto, membros da UNESCO – agencia mater da “educação” e “cultura” da ONU – decidiram, sob bases históricas “comprovadas”, que Jerusalém, Hebron, o muro das lamentações e as tumbas de Abraão, Isaac e Jacó são legados exclusivos de um grupo de árabes auto-denominados palestinos. Para esta ONU dominada por tiranias, a memória transgeracional, os registros milenares e a arqueologia nada tem a dizer sobre Israel e seu povo milenar.
Quem sabe a gente faz uma analogia, pedindo para qualquer antropólogo ou arqueólogo reconhecer a vinculação dos indígenas brasileiros com seu território depois de encontrar conchas e ossos em sambaquis? Ou para que avalizem a legitimidade dos negros pela posse de áreas quilombolas ao escavar vestígios de choupanas calcinadas? Os peritos não hesitariam em atestar positivamente. E está certo.
Todos concordariam com estas evidências, inclusive eu.
Mas quando se referem à Israel fica evidente que os reinados, livros, moedas, muralhas, cisternas, tabernáculos e pergaminhos são insuficientes para provar o vínculo da terra de Israel com o povo judeu.
Mas vamos adiante: um pouco mais ao norte, a República Islâmica do Irã realiza testes balisticos com mísseis em cuja fuselagem é gravada a inscrição “morte à Israel” e seus alvos de treinamento são, pacifica e inocentemente, estampas com estrelas de David.
Qual outro povo ou estado é ameaçado explicitamente de destruição, de extermínio, como Israel o é?
No país dos aiatolás também se costuma premiar em concursos internacionais o melhor cartoon que se proponha a negar ou debochar das vítimas espoliadas e incineradas do holocausto. Um dos premiados no concurso, o nosso conterrâneo Carlos Lattuf, não deve ser considerado o maior racista do Brasil, pois os judeus calcinados nos fornos deviam ser todos…ora vejam!…sionistas, este grande álibi para proteger e aliviar a consciência dos antissemitas viscerais.
Mas o lugar apropriado para atacar os maldosos judeus é no show musical de Roger Waters do Pink Floyd. Milhares de fãs são levados a associar a música bacana com slogans odiosos. A neurolinguística deste canalha preenche os corações e mentes. Alí se vê no telão um balão de um porco gordo e próspero flutuando com a estrela de David. Como todos sabemos que a estrela não é um símbolo religioso dos judeus, o show do roqueiro não pode ser acusado de ser marketing antissemita. Trata-se apenas da tara de um pervertido moral? Em parte sim. Mas há mais coisas por trás.
Estas redes de comunicação, estes jornais, estes artistas e estes países (todos muito respeitáveis) acabaram por me convencer de que os judeus e Israel merecem atenção especial. Só pode ser isto.
Judeus perfazem apenas 0,2 % da população mundial mas ocupam em demasia o imaginário desta gente. Seria um vício? Uma fixação? Um fetiche? Uma demência? Por quê judeus incomodam tanto esta legião de justos? A fonte da hostilidade é o ressentimento pelo próprio fracasso e impotência?
“Não venham vocês judeus, portanto, desviar nossa atenção com as tragédias, fomes e genocídios gravíssimos do mundo atual: a ONU e nós, os progressistas, não podemos perder o foco em vocês, nossos cruéis inimigos. É imperativo que vocês, judeus e israelenses, devam ser observados e, se possível, neutralizados por ganharem tantos premios Nobel, serem expoentes no cinema, na música erudita, nas artes plásticas e literatura; serem proprietarios do Google, do Facebook e do Whatsapp, dominarem a Nasdaq com suas starstups tecnológicas, inovarem com o UBER e AirBnB (neste ponto da leitura os antissemitas irão correndo para a internet descobrir se foram mesmo alguns judeus que criaram estas empresas) além de espalharem biotecnologia pelo mundo para diagnóstico e cura de doenças. As contribuições de Einstein, Freud, Sabin, Bohr, Durkhein e Jesus não devem sensibilizar esta gente fina, elegante e sincera; tampouco devemos amolecer nossos corações ao saber que os socialistas Marcuse, Marx, Rosa Luxemburgo, Trotsky ou Derridàs eram judeus. Vocês devem ser perseguidos por enviarem socorro a mais de 20 países durante catástrofes e ainda tratarem os sírios feridos (que os odeiam) na guerra civil”. Na verdade, eles são obscecados pelos judeus! Seria uma luta contra um desejo inalcançável de serem como eles?
Este ódio não decorre apenas do imaginário primitivo de rejeição ” ao povo eleito por Deus”, da necessária punição aos “assassinos de Cristo”, das acusações de exclusivismo ou por serem considerados os superegos da humanidade ao criarem tantas interdições ao prazer através das proibições contidas nos dez mandamentos mosáicos. A revolta não é somente porque os judeus, com suas leis, afastaram o homem instintivo do seu idílico romântico mundo selvagem ajudando a criar a civilização. Não!”
Estamos lidando com alguma coisa muito maior do que inveja pelo sucesso deste pequeníssimo país e do seu estudioso povo. A mera existência do Estado de Israel e dos judeus inovadores, críticos e insubjugáveis ameaça e inviabiliza os planos totalitários das duas maiores forças regressivas contemporâneas: o islamo-fascismo e a esquerda globalista que substituiram a internacional socialista e a supra-estrutura da revolução cultural. É isto! Não é à toa que os bolivarianos, os integrantes do foro de São Paulo e suas hostes de perdedores da história se voltem contra Israel. Noventa por cento dos judeus da Venezuela fugiram de lá no inicio da ditadura chavista. Mais uma vez os judeus se anteciparam numa ditadura opressora como “o aviso dos pássaros na mina” antes do desmoronamento das galerias.
É, senhores! A compulsão demonizadora destes movimentos inimigos da liberdade nada tem a ver com dois estados para dois povos no Oriente Médio ou com crítica legítima à suposta ocupação, tampouco com a interrupção de novas construções nos assentamentos; a palavra de ordem é a destruição de Israel e do judaísmo como “uma luz entre as nações”. Israel e os judeus resistem bravamente à dominação centralizadora, controladora e totalitária. São exemplos de resistência ao fascismo socialista e ao fascismo islâmico salafista ou xiita, resistência esta que os tiranos querem extirpar.
Portanto, para as forças reacionárias da história, Israel e os judeus precisam desaparecer.

1 Comentário a A IRONIA COMO ARMA ou SÓ ANTISSEMITAS NÃO GOSTAM DESTE ARTIGO.

  1. Ruben A. S. Rein's Gravatar Ruben A. S. Rein
    16 de janeiro de 2018 at 01:23 | Permalink

    Prezado senhor: concordo em vários pontos de vista e acredito que muito desse ódio seja pelo desconhecimento (sobretudo no conflito do médio oriente), muitas pessoas opinando sem conhecer a história. Gostaria de lhe perguntar se não seria 0,2% da população mundial o número de judeus em vez de 0,002% ? Não precisamos exagerar !!! Abraço.

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