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Mario Gurvitez Cardoni

HOLOCAUSTO DA RAZÃO

15.10.2016

templo

 

Zakhor – escreveu Yerushalmi – grande erudito judeu, é a essência do judaísmo.

Zakhor é memória, zakhor é lembrança, zakhor é o que define a vida humana.

Sem memória, tanto os homens como suas suas instituições caem no vazio existencial, na absoluta ausência de significado e propósito. A civilização não mais existe quando a memória coletiva se extingue tal qual degeneração demencial.
Vem daí a minha explosão de raiva e indignação com a decisão da UNESCO em negar, suprimir, apagar a incontestável vinculação histórica, religiosa, geográfica, afetiva e jurídica do judaísmo com Jerusalém, com o Kotel e com monte do templo.
Alguém irá dizer: tua preocupação é exagerada! É só jogo político numa instituição falida e ilegítima! Olhe a lista dos países que votaram a favor da resolução! Quase todos são islâmicos defendendo “sua” verdade corrompida!
Errado.
A abstenção de países altamente civilizados, que possuem universidades excepcionais e sociedades sólidas construídas sobre suas próprias memórias, ecoa muito mais do que os votos utilitários de países inimigos de Israel. Os países que disseram sim, quase todos ditaduras cruéis, estão exercendo o terrorismo por outros meios com esta resolução. Os que se omitiram forneceram o aval e a aparência de legitimidade ao crime perpetrado.
Mais do que bombardeios e morticínios, que são resultados trágicos das disputas pelo poder e dinheiro, a negação da verdade e a supressão da racionalidade são as “pás de cal” em toda esperança de paz no mundo.
O que resta para a humanidade, repito isto ao ponto de exaustão, se as evidências e a razão são corrompidas de forma tão flagrantes à serviço do ódio?
E os absentes? Será que o sentimento atávico de rejeição aos judeus está se manifestando pelo silêncio?
O mesmo sentimento que negou aos judeus viverem na sua pátria na época dos babilônios, o mesmo com a diáspora decretada pelos romanos, com os espanhóis os expulsando em massa, a seguir removidos de Portugal, continuando na segregação européia e russa, depois com a quase completa eliminação dos judeus da face da terra… e, agora, com a tentativa de amputação da mais valiosa riqueza da civilização hebraica, a saber: sua cultura e suas lembranças que tornam Israel e os judeus, mesmo em numero tão insignificante, em destaque invejável entre as nações.
É o holocausto por outros meios. É o holocausto da razão.                                                                                                           Extermínio da memória coletiva de um povo.

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