História da FIRS

Como consequência das dificuldades econômicas da Europa, no início do século passado, e das perseguições religiosas e sociais sofridas em seus países de origem, muitos judeus vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor.

Em 1891, o Barão Maurice de Hirsch – banqueiro de origem judaica – alemã e radicado na França, preocupado com a perseguição ao povo judeu, especialmente aos judeus russos, criou a Jewish Colonization Association – ICA, com o objetivo de organizar e instalar colônias agrícolas no Brasil, Argentina e Canadá. O ano de 1904 marca a chegada dos imigrantes judeus ao Brasil, mais precisamente à Colônia de Philippson, próxima a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, primeira colônia judaica, instalada organizadamente no país. A Colônia recebeu esse nome em homenagem à Franz Philippson, então vice-diretor da ICA e presidente da Compagnie Auxiliaire de Chemin de Fer au Brésil, que atuava no RS. Os primeiros imigrantes – cerca de 37 famílias – vieram principalmente da Bessarábia, região russa banhada pelo Mar Negro. Mais tarde, judeus vindos da Polônia, Rússia, Alemanha, Argentina e outros países instalaram-se no Brasil. A maioria dos imigrantes eram artesãos que se tornaram agricultores por programação da ICA. Na nova terra os imigrantes receberam lotes de 25 a 30 hectares, pequenas casas de madeira, animais, instrumentos agrícolas e sementes, com financiamento a longo prazo. “Os judeus que vieram desconheciam a língua, o ofício de agricultor e a geografia do lugar, mas foram acolhidos generosamente pelo povo do Rio Grande do Sul”, explica Matilde Groisman Gus, presidente da FIRS(Gestão 2002-2004).

Entre 1911 e 1914 mais famílias imigraram para o Rio Grande do Sul, instalando-se na Fazenda Quatro Irmãos, região de Passo Fundo. Muitas famílias continuam na região e alguns de seus descendentes são fazendeiros no local onde seus pais e avós se instalaram inicialmente.

O que os imigrantes mais valorizavam era a educação dos filhos, único bem que não lhes poderia ser tirado. A primeira integração entre a comunidade judaica e os brasileiros veio através da educação. Os imigrantes fundaram uma escola na Colônia de Philippson, cujo ensino era realizado em português e acolhia também os brasileiros, filhos dos colonos e trabalhadores da região. Nos anos 20 começa uma outra etapa no processo de migração: em busca de estudos mais adiantados para os filhos, muitos judeus instalaram-se nas grandes cidades do Estado, tornando-se comerciantes. Eles se dirigiram para Santa Maria, Erechim, etc, e muitos para Porto Alegre, concentrando-se no bairro Bom Fim. Durante a década de 30 predominou a imigração de judeus vindos da Polônia. Artesãos, alfaiates e marceneiros poloneses vieram para o Bom Fim e criaram sua associação, o Poilisher Farband, que prestava assistência e apoio aos novos imigrantes. A partir de 1933, quando Hitler assume o poder na Alemanha, chegam ao Brasil os judeus alemães, entre eles muitos intelectuais e profissionais liberais, que fugiam de seu país ameaçados e perseguidos pelo nazismo.

Na década de 50, no período do governo de Nasser, judeus expulsos do Egito chegam a Porto Alegre. Sua Sinagoga, o Centro Hebraico Riograndense, foi construída no Centro Histórico da Capital.

Aos poucos foram sendo criadas as entidades judaicas, como sinagogas, clubes, colégio e instituições beneficentes, que serviam para congregar e auxiliar a comunidade no Rio Grande do Sul.

Com o aparecimento das entidades, a constituição de um órgão integrador foi inevitável. Em 1961 surge a necessidade de fundar a Federação das Sociedades Israelitas Brasileiras do Rio Grande do Sul, que em 1977 passa a se chamar Federação Israelita do Rio Grande do Sul. O reflexo deste engajamento é perceptível nas atividades realizadas e sempre estará presente na história da comunidade judaica gaúcha.

Em 1963, os judeus alemães fundam a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência – a SIBRA. O forte espírito comunitário fez com que os judeus se apoiassem e superassem as dificuldades iniciais; logo passaram a ocupar uma posição de destaque na área cultural e artística, no comércio, na indústria e na construção civil. Seus filhos ingressaram nas universidades, tornando-se intelectuais, professores, profissionais liberais, etc, facilitando o processo de integração da comunidade judaica na sociedade do RS. Além disso, principalmente as comunidades de Santa Maria, Passo Fundo e Erechim continuam atuantes e harmonicamente integradas na comunidade maior.