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Conheça os grupos de extrema-direita que marcharam em Charlottesville

18.08.2017

Eles acreditam que a “raça branca” está em perigo. Estão seguros de que os Estados Unidos foram construídos por e para pessoas brancas e devem agora abraçar o fascismo.  Consideram ainda que as minorias estão tomando o poder no país. E que há uma conspiração internacional de judeus por trás dessa ameaça.

Pensam assim as pessoas de extrema-direita que protestaram no dia 12 de agosto em Charlottesville.

A manifestação foi o maior encontro de supremacistas brancos da década, de acordo com a Liga Anti-Difamação [ADL]. Liderada por um ativista local de extrema-direita, Jason Kessler, a manifestação recebeu grupos racistas, antissemitas e fascistas, novos e antigos, em união.

De acordo com a ONG Southern Poverty Law Center, que rastreia grupos de ódio, a manifestação incluiu “amplo espectro de grupos extremistas de direita – de xenófobos a fanáticos antissemitas, neoconfederados, Proud Boys, patriotas e motoqueiros fora da lei, vestidos com suásticas, supremacistas brancos e membros da Ku Klux Klan”.

Muitos dos que compareceram, afirma a ADL, eram homens jovens que se tornaram radicais na internet, não afiliados a um grupo em particular. Enquanto alguns pertencem ao grupo “alt-right” [direita alternativa], um movimento de racistas, antissemitas e nacionalistas, outros pertencem a grupos de supremacia branca mais antigos, como a Ku Klux Klan.

No protesto, participantes foram vistos carregando bandeiras nazistas e dos antigos estados confederados, assim como placas com frases racistas e antissemitas. Entoaram “Sieg Heil”, fizeram saudações nazistas e xingaram quem passava na rua.

“Eles tendem a ser jovens, mais frenéticos no sentido do uso de mídias sociais, enquanto grupos mais antigos e tradicionais como KKK estão em declínio. Apesar das diferenças, possuem o mesmo ódio”, avalia a ADL.

Conheça mais detalhadamente os principais grupos que compareceram à marcha em Charlottesville.

Vanguard America

Vanguard America

James Fields, que jogou seu carro sobre os manifestantes, entrou para esse relativamente novo grupo supremacista branco e fascista durante a manifestação. “Nosso povo é subjugado, enquanto uma infinita maré de estrangeiros incompatíveis inunda essa nação”, declara o grupo na web

Baseia-se no conceito de “solo e sangue”, uma ideia consagrada pelos nazistas. Combate o multiculturalismo e o feminismo e pede um país “livre da influência de corporações internacionais, dirigidas por um grupo internacional de judeus, que colocam o lucro acima dos interesses do nosso povo”.

De acordo com a ADL, o grupo postou dezenas de panfletos em diversos campi universitários em pelo menos 10 estados americanos. Este ano, vandalizou um Memorial do Holocausto em Nova Jersey com faixas que diziam “Judeuzada não vai nos dividir”.

Ku Klux Klan

Um dos mais antigos e infames grupo do país, o KKK teve primeiramente como alvos negros, assim como judeus, católicos e outras minorias. Foi responsável por linchamentos, explosões de bombas, espancamentos e outros atos racistas de assassinato e abuso.

Foi fundado por veteranos do Exército Confederado após a Guerra Civil americana, com o objetivo de molestar pessoas negras, e na década de 1920 atingiu a marca de quatro milhões de membros. Um relatório da ADL de 2017 afirma que o grupo encolheu para 3.000 membros, principalmente nas regiões Sul e Leste dos estados Unidos.

identity europa

Identity Evropa

Um novo grupo que se afilia ao movimento “alt-right”, Identity Evropa busca promover “a cultura americana branca” e também colocou panfletos em campi universitários. O grupo, que trabalha com o pseudointelectual e supremacista branco Richard Spencer, afirma que existem diferenças inerentes entre raças e que pessoas brancas são mais inteligentes que as demais. O grupo se autoproclama “identitário”, com uma ideologia de extrema-direita europeia que busca reafirmar a identidade branca.

O grupo apoia uma política de “remigração” para tirar os imigrantes dos Estados Unidos. Alguns de seus pôsteres trazem frases como “Vocês não vão nos substituir”, grito de guerra que os manifestantes de Charlottesville adaptaram para “Judeus não vão nos substituir”. Identity Evropa não aceita membros judeus.

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League of the South

Acreditam que a cultura sulista é distinta e oposta à “corrupta cultura das massas americanas”.

O grupo prega um governo teocrático cristão que imponha normas rigorosas de gênero.  Opõem-se à imigração e também ao islã. Definem o “povo sulista” como “descendentes de europeus” e afirmam que “não foi a vontade de Deus Todo Poderoso nem o poder da legislação humana que fez dois homens mecanicamente iguais”.

Fundou uma unidade paramilitar em 2014.

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National Socialist Movement

É uma versão norte-americana do partido nazista alemão. É uma organização de supremacistas brancos que apoiam a deportação de “não brancos”- inclusive judeus- ou a retirada da cidadania e a adoção de um regime discriminatório sobre eles (o manifesto do grupo propõe ambas as medidas). Também é antifeminista e homofóbico.

Idolatram Adolf Hitler, quem “amou e cuidou profundamente das pessoas medíocres”. Até uma década atrás, o grupo protestava com aparatos nazistas completos, que foram trocados por uniformes pretos. Seu símbolo é uma suástica sobreposta à bandeira americana.

 

Fonte: CONIB

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