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Rafael Korman

Possui graduação em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010) e mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2015). Tem experiência na área de Engenharia de Produção, com ênfase em Educação em Engenharia – reforma curricular do ensino de engenharia, atuando principalmente nos seguintes temas: capacitação docente, administração de projetos e educação em engenharia. É sócio fundador da Autonomia Soluções em Educação, uma organização que, desde 2011, ajuda a promover o desenvolvimento da autonomia no aprendizado, já tendo atuado em mais de 100 instituições de ensino de educação básica, públicas e privadas (acumula mais de 500 horas de atividades, voltadas a educadores, pais e alunos, com um público acumulado de cerca de 20.000 pessoas). Autor do livro “Projetos para Escolas na Prática”, atua como Gerente de Processos Organizacionais no Colégio Israelita Brasileiro de Porto Alegre.

Comunidade é o que está dentro de nós

08.07.2016

Não se pode dizer que, de uma hora para outra, caí de paraquedas nesse blog. Há doze anos, desde que saí do Colégio Israelita Brasileiro (no qual estudei desde os seis), sou voluntário da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS). Já trabalhei dando aulas de matemática no Eitan; já dei aulas no Beit Sefer Le Madrichim; compus por três anos o Conselho de Educação da FIRS, no Programa Comunidade Século XXI; participei por três anos cantando músicas em hebraico no Projeto Ledor Vador, junto ao Lar Maurício Seligman; participei na organização de diversos eventos comunitários, incluindo Festas da Rua, Choref, Darom, Iom HaRikud, Iom Mitzvá, Congresso das Entidades, Seminário Latinoamericano do Hillel, entre outros; cantei por cinco anos no coral da Sinagoga Centro Israelita, onde também realizei a cerimônia de Bar Mitzvá; dancei por seis meses no Kadima; participei por dois anos do Ofakim, ajudando a organizar, entre outros projetos, algumas edições do evento conhecido como “Shabat Acústico”; joguei inúmeras edições do Chapa Quente, no Campestre, e também alguns campeonatos na Hebraica – sempre como goleiro, claro; participei de um grupo de estudos sobre a Torá, na Sinagoga do Linat; e, por fim, durante minha faculdade, estagiei e hoje sou profissional no Colégio Israelita Brasileiro, atuando como Gerente de Processos Organizacionais. No entanto, nunca deixei também de ser voluntário da comunidade. Por quê?

Minha vida não se resume apenas à comunidade, embora uma grande parte esteja ligada a ela. Assim, a pergunta que pode ser feita é: de onde vem tamanho vínculo? A resposta contém duas razões.

A primeira razão, certamente, tem a ver com minha história familiar. Por um lado, meus pais nunca tiveram muitas relações comunitárias, digamos assim, com entidades específicas e eventos. Por outro lado, meu avô, Abrahão Faermann Sobrinho, (um jovem de 82 anos) dedicou sua vida a essa comunidade. Desde pequenos, sempre que possível, levava eu e minha irmã, Gabriela, a todos os eventos existentes. Devo a ele, sem dúvida alguma, esse sentimento de pertencimento. Já minha irmã dedicou metade de sua vida ao movimento juvenil Chazit. Parece dramático falar em “metade da vida”, pois ela é uma jovem jornalista de apenas 26 anos. O que eu quero evidenciar é a proporção que essa participação tem na vida de um pequeno ativista. Eu nunca participei ativamente de nenhuma tnuá, mas aprendi muito sobre isso com a Gabi. Tenho certeza que, sem as tnuót, não teríamos comunidade judaica.

A segunda razão tem a ver com o Colégio Israelita. Para além da educação formal, do ensino das chamadas áreas do conhecimento, foi no Israelita que eu solidifiquei a minha identidade judaica. Mas não somente conhecer os chaguim, cantar as músicas. Tampouco apenas aprender sobre o shabat, estudar cultura judaica, ler Singer, Kafka, Scliar. Isso tudo, sim, mas também convivendo com meus colegas, olhando para o lado e entendendo que crescíamos juntos imersos na nossa cultura milenar. Talvez a gente não se dê conta disso quando se é estudante. Porém, quando volta e vê o ciclo da vida seguindo seu curso, percebe e reconhece a importância da convivência na escola – e, essencialmente, NESSA escola chamada Israelita. Sou testemunha de como nosso Colégio vem se transformando para manter uma educação de excelência, sem jamais abrir mão de sua essência.

Eu continuo fazendo parte da comunidade porque ela faz parte de mim. É minha família, são meus amigos, as pessoas com quem eu gosto de conviver. A comunidade não é algo pronto. Não é um conjunto de entidades. Não é a Federação. Nem é o Colégio. São as pessoas que dela fazem parte. A comunidade não vai fazer nada por ninguém, porque ela não é alguém: são muitos.

Eu quero poder conviver com diferentes pessoas, que enxergam o judaísmo e o mundo de forma diferente, e aprender com cada uma delas, sem ser desrespeitado. Eu não quero ser tolerante ou tolerado, quero aprender a aceitar e ser aceito. Quero ajudar a construir uma comunidade plural, sem ser mais do mesmo, mas indo mais além.

Temos bastante a aprender com aqueles que já deram e continuam dando de sua vida à nossa comunidade. No entanto, também temos muito o que aprender com aqueles que ainda querem dar. Há espaço para todos. Vamos conversar?

Viajando em comunidade

Minha irmã (6 anos) e eu (10 anos): Israel, inverno de 1996.

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