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Como quase fui preso por discriminação

*por More Ventura
Blog do More Ventura
12.12.2011


Hoje me aconteceu algo inacreditável!

Ao estacionar meu carro em uma vaga, para que minha esposa com sua perna engessada pudesse descer, uma mulher, dirigindo outro carro parou ao meu lado e disse calmamente enquanto nos olhava:

- Seus judeus filhos da P.

Respondi com toda a calma:

-Veja senhora, minha mulher está com a perna engessada e precisa descer aqui.

A mulher, olhando-nos calmamente, repetiu o seu mantra do mal:

- Judeus filhos da P.

Não tive duvidas: Voltei à rua e com meu carro a segui, alcançando-a parada em um farol.
Saquei a minha arma verbal e "disparei" varias verdades: A mulher ficou pálida, apavorada e acuada, disse-lhe que no momento dirigia minhas palavras somente a ela, porque estava desacompanhada, porem se fosse necessário, falaria o mesmo e da mesma forma  a seu marido, irmãos e etc. - Não queria passar por aquele tipo de "valentão" que adora se impor sobre mulheres ou pessoas mais frágeis.

Mas meu objetivo maior estava por vir: Chamar a polícia, pois como atuante no campo da liberdade religiosa, não queria deixar um caso como estes passar em branco, gostaria de ver a lei sendo cumprida. E foi!

Às avessas!

Enquanto a polícia chegava a mulher fugiu e em questão de segundos vi uma arma, empunhada por um P.M, apontada para mim. Protestei, relatando aos policiais o acontecido e expliquei a eles que fui eu quem os chamei.

Em pouco tempo se juntou um grupo contestando os "homens da lei": Judeus laicos, ortodoxos, cristãos e colegas de trabalho. Pessoas dizendo a eles que me conheciam e desconhecidos  testemunhando sobre o que realmente aconteceu. Parecia tudo encaminhado, quando um dos dois policiais sacou de seu coldre duas "munições podres":

-Vocês também matam Palestinos!
-Esta não foi uma questão religiosa!

Logo começaram os protestos e o bate-boca. O policial ficou surpreso e irritado, mas foi só ouvir alguns nomes e contatos, sacados de nosso estoque de munição, que começou a "relaxar" até "decidir" ir embora...

Estou sentado em meu sofá escrevendo, duas horas depois do acontecido.
De certa forma estou satisfeito, (obviamente que à posteriori), pois a agressora sentiu em sua pele como é desagradável ser agredida. Várias pessoas, independente de origem religiosa ou de classe social se posicionaram com coragem perante a postura pedante do policial.
E finalmente, o policial teve que "bater em retirada", após perceber que sua força bruta não é soberana, quando está entre pessoas esclarecidas, corajosas e de fé!

Martin Lutherking dizia: "O que me assusta não é o grito dos maus e sim o silêncio dos bons".
Amigos, façamos sempre parte dos Bons que lutam por justiça e por um mundo melhor!"

Existe tambm um ditado que diz "O preço da liberdade é a eterna vigilância"! - Então: Sejamos vigilantes!

Abraços. More Ventura!


More Ventura é professor de Historia Judaica, Bíblia, Talmud, contador de historias, Ativista comunitario e social,Diretor da associação Campestre de Sao Paulo, membro do Forum Interreligioso do Estado de SP

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