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Mario Gurvitez Cardoni

ALIYAH

05.09.2016

Há tempos venho pensando sobre a importância da aliyah para o sucesso de Israel como nação; e refletindo também sobre o valor das comunidades na diáspora para o seu fortalecimento.

O primeiro ministro Netanyahu declarou: o lugar para todos os judeus do mundo é Mediná Israel. Esta afirmação, com caráter de apelo, foi feita após os recentes ataques antissemitas na Europa. Muitos líderes judeus, tanto na França quanto na Dinamarca, se apressaram em dizer que eles eram e se sentiam cidadãos franceses e dinamarqueses, agradeceram a preocupação de Netanyahu, mas entendiam a migração como uma decisão individual e não necessariamente política.

É fácil concluir que a “subida” em massa proporcionará um reforço demográfico considerável em número e qualidade, pois o perfil sociocultural e educacional do imigrante judeu da diáspora ocidental seja ele francês, americano, brasileiro ou mesmo venezuelano, é excepcional. Israel receberá, então, um novo cidadão formado, muitos com grau universitário, fluentes em inglês e  com alguma noção de hebraico. São jovens líderes altamente motivados e inovadores.  Boa parte destes potenciais imigrantes já está familiarizada com a sociedade israelense muito antes da chegada em eretz pela ação de grupos juvenis, programas como Taglit, Schnat e pelos esforços da Agência Judaica e do NBN. Ao que me parece, estamos diante do melhor capital humano que qualquer país possa desejar.

Se a aliyah é boa para Israel, ela deve ser ótima para o imigrante.

Oportunidades acadêmicas, qualidade de vida, segurança (sim, extraordinária segurança, ainda que cercado por inimigos), distância do antissemitismo e, sobretudo, a consolidação da identidade judaica num estado judeu. Tudo isto é muito atraente, principalmente se o país de origem estiver em crise, inseguro e com falta de oportunidades.
Mas será que Israel não necessita que os judeus com estas qualidades permaneçam na diáspora? Será que manter comunidades fortes e influentes, cultural e economicamente prósperas, distribuídas pelo mundo todo, não contribui mais para o fortalecimento e sustentação de Israel do que a aliyah maciça? Dispor de representantes apaixonados, defensores incondicionais, “cônsules” e “embaixadores” naturais, além de intermediários para negócios e parcerias, não faz dos judeus da galut muito mais necessários para Israel do que os novos olim?

Não tenho a melhor resposta, mas estudando a história  do povo judeu até a independência de Israel em 1948, constato que o nosso extraordinário sucesso como grupo social decorre de uma feliz combinação de fatores: o imperativo do estudo, a sobrevivência da fé, da fidelidade à Lei, da resiliência contra a hostilidade, do empreendedorismo, mas principalmente pela formação de uma grande rede de ligação real e invisível entre os judeus espalhados nos cinco continentes.

Ser judeu no exílio, mesmo sem religiosidade, é uma vocação e uma especialidade milenar que não pode desaparecer.

 

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