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Gustavo Schwetz

Jornalista que não exerce a profissão. Escritor sem livros publicados. Empresário sem MBA. Colunista com a pretensão de derrubar rótulos, questionar verdades absolutas e lutar por uma comunidade / sociedade / mundo mais plural e justo.

A Resposta de Jean

05.01.2016

Já faz algum tempo que atos promovidos por Jean Wyllys e Marcelo Freixo têm me impressionado positivamente. Mesmo com alguma ressalvas em relação ao PSOL (partido do qual fazem parte), creio que os dois, com personalidade e transparência, mostram que estão dispostos a combater a onda de intolerância que, a cada dia, cresce mais na sociedade brasileira.

Contextualização: Jean postou, em página no Facebook, um texto sobre sua visita ao Estado de Israel. O Deputado Federal foi convidado a ministrar palestra na Universidade Hebraica de Jerusalém. Infelizmente, a resposta mais curtida generaliza tanto o povo israelense quanto o sionismo. Eis a resposta pessoal do Deputado:

“Em primeiro lugar, para falar sobre o sionismo é preciso saber o que é, porque se não, você acaba usando a palavra “sionista” como sinônimo de israelense ou, pior, de judeu. Muita gente faz isso para disfarçar seu antissemitismo (falando, por exemplo, “não sou antissemita, mas antissionista”); outros fazem por ignorância. Nem todos os judeus são sionistas, nem todos os israelenses são judeus (tem, inclusive, árabes israelenses, muçulmanos israelenses, cristãos israelenses, etc.). O sionismo nasceu como uma ideia, depois como um movimento que reivindicava o direito do povo judeu (perseguido e difamado por séculos e vítima principal da tragédia do Holocausto nazista) a ter uma terra e uma nação, já que não se sentiam seguros num mundo e principalmente numa Europa que os expulsou, os perseguiu e os dizimou. Há sionistas de esquerda e de direita, laicos e religiosos, e há entre eles diferentes posições sobre a questão palestina. Há sionistas que são contra a ocupação de territórios palestinos, contra a política guerreira do atual governo israelense e a favor da solução dos dois estados.

Acusar todo sionista (ou todo israelense, ou todo judeu) pelas barbaridades praticadas pelo governo de Israel nos territórios palestinos é tão equivocado como acusar todo muçulmano (ou todo palestino, ou todo árabe) pelos crimes do terrorismo do Hamás ou do ISIS ou de outras facções criminosas.

Você pode, como eu, repudiar o terrorismo do Hamás e os crimes de Netanyahu, ser a favor do reconhecimento do estado palestino e do direito a existir do estado de Israel e almejar a paz e a coexistência entre ambos os povos. Muitos árabes, israelenses, judeus, muçulmanos, palestinos e também sionistas defendem isso.

Por último, usar a questão palestina como argumento para se manifestar contra a denúncia do antissemitismo é tão equivocado como usar o terrorismo islâmico como argumento para se opôr à denúncia da islamofobia. Toda generalização e todo maniqueísmo conspiram contra a compreensão de fenômenos complexos e só ajudam a preservar o mais embrutecido senso comum que acaba justificando diversas formas de violência.

Jean Wyllys”

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