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Gustavo Schwetz

Jornalista que não exerce a profissão. Escritor sem livros publicados. Empresário sem MBA. Colunista com a pretensão de derrubar rótulos, questionar verdades absolutas e lutar por uma comunidade / sociedade / mundo mais plural e justo.

A Dança Israeli, o Lucas e o Bruno

16.12.2015

Pode parecer que escreverei esse texto apenas porque ontem o Kadima conquistou o Prêmio Açorianos em três categorias. Talvez seja o estopim, mas não o motivo principal.

Faz duas semanas que penso no que escrever. Não tenho me relacionado tanto assim com o judaísmo para ter opiniões robustas a respeito de assuntos específicos. Porém, ontem, percebi que dois dos grandes fenômenos comunitários atuais convivem diariamente comigo. Eu abandonei minha carreira de dançarino em 2008. Esforçado. Nada mais do que isso. Percebi que me daria muito melhor em outras áreas. Eles seguiram.

Difícil dissociar a imagem do meu irmão mais velho, Lucas, da dança Israeli. Deu aula por quase dez anos no Colégio Israelita. Ao mesmo tempo, protagonizou inúmeras danças pelo Kadima. O gigante sempre estava lá. Imponente, determinado, alegre. Ao lado do meu avô, sempre ouvia os gritos de “Bravo!” destinados a ele e também ao grande grupo. Para muitos, hiperatividade é sinônimo de criatividade. Lucas está aí para comprovar a teoria. Há dois anos, recebeu o convite para coreografar, junto com a Amanda, o grupo pelo qual tanto brilhou. Lembro do sorriso de lado a lado que ele vestia quando me trouxe a notícia. Eu sempre tive certeza que ele era a pessoa certa para o cargo. Intempestivo e mandão, mas dócil e determinado. O resultado de ontem não é por acaso.

O menor, desde cedo, mostrou que tinha de sobra aquilo que o do meio deixava a desejar. Meu irmão mais novo nasceu para dançar no Kadima. E eu não falo apenas da técnica. Quem conhece, sabe a garra que o Bruno sempre teve para fazer tudo sempre da melhor maneira possível. Repetindo o movimento de maneira incansável até ficar perfeito. Cansei de ouvir as musicas em hebraico e os consequentes pulos no quarto ao lado. Assisti o espetáculo do Kadima com o grupo Misgav, de Israel, na semana passada. Poderia jurar que o Lucas continuava dançando. Detalhe: Bruno se apresentou com o pé fissurado.

Posso ser suspeito para falar pelos laços sanguíneos que nos unem, mas como participante recorrente de discussões diárias envolvendo dança, logística, coreografia, músicas em hebraico e marcações de palco, digo, com propriedade, que meus irmãos merecem todo esse reconhecimento. Sempre que podem, aceitam convites e viajam o mundo representando a comunidade judaica gaúcha, em eterna capacitação para elevar sempre o patamar da nossa dança folclórica.

É óbvio que todos meus amigos queridos do Kadima estão de parabéns, mas esse texto vai além do cumprimento. Ele busca externar o orgulho que um irmão do meio sente pelos seus dois eternos companheiros. Brubs e Lula: o mundo é de vocês.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/12/grupo-kadima-e-o-grande-vencedor-do-premio-acorianos-de-danca-2015-4931104.html

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